Receita ergue muralha 'anticigarreiro'
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 10 de fevereiro de 1999
Valmir Denardin 
A Receita Federal está construindo um muro de 3,5 metros de altura na cabeceira brasileira da Ponte da Amizade, que liga o Brasil ao Paraguai, para tentar impedir a ação de contrabandistas - principalmente cigarreiros.
Não há números oficiais, mas estimativas apontam que 1,5 mil pessoas atuam diariamente na ponte contrabandeando cigarros, de fabricação brasileira e exportados para o Paraguai com isenção de impostos. Por isso, a volta do produto ao País é proibida. Afetada pela desvalorização do real, que fez o movimento cair em cerca de 90% nas últimas semanas, a atividade já começa a retomar o fôlego.
No ano passado, o cigarro respondeu por 60% das apreensões de mercadorias feitas pela Delegacia da Receita Federal em Foz do Iguaçu, que totalizaram US$ 32,4 milhões (o equivalente a quase de R$ 65 milhões pelo câmbio paralelo de ontem). A aduana da Ponte da Amizade responde por aproximadamente 40% do total de mercadorias apreendidas.
Ney de SouzaCigarreiros pulam grade na ponteApesar do volume de apreensões, a maior parte do cigarro que sai de Ciudad del Este em direção a Foz do Iguaçu cruza a Ponte da Amizade, mas não chega a passar pela aduana. Os cigarreiros costumam jogar fardos com 30 quilos do produto por buracos abertos na grade instalada ao longo da metade brasileira da ponte. Lá embaixo, a mercadoria é recolhida - na margem ou até mesmo dentro do Rio Paraná - por comparsas dos cigarreiros.
O objetivo da muralha que está sendo erguida é impedir que cigarreiros e outros contrabandistas pulem a barreira, já na cabeceira da ponte, para fugir da aduana. Mas a própria delegada da Receita Federal em Foz, Maria Angélica Toledo Castro, admite que o problema continuará existindo nos 552 metros da ponte.
Nossa atuação não inclui a ponte em si, que é de responsabilidade do DNER, disse a delegada à Folha ontem. Segundo ela, a Receita Federal já promoveu reuniões com o Departamento Nacional de Estradas de Rodagem para estudar uma atuação conjunta no combate ao contrabando, mas a iniciativa não teve sucesso. De acordo com a delegada, a estrutura da ponte não possibilita a instalação da muralha.
O muro começou a ser erguido anteontem e deverá ser concluído em 15 dias. Estão sendo instaladas 160 placas de concreto. Segundo a delegada, a obra custará R$ 16 mil, valor dividido entre a Receita Federal e a Itaipu Binacional.


