Marcos Zanatta
De Maringá
O delegado da Receita Federal em Maringá, Arcanjo Valério de Lima, disse ontem que pode convocar o Exército para fiscalizar os sacoleiros que passam na região vindos do Paraguai. Anteontem, cerca de 80 ônibus de sacoleiros conseguiram passar pela fiscalização sem que os agentes da Receita pudessem fazer nada. O comboio segundo Lima começou a se formar próximo a Campo Mourão, depois que os compristas souberam que a Receita fazia fiscalização próximo a Peabiru. ‘‘Eles ficaram sabendo da barreira de fiscalização e se organizaram em comboio’’, explicou.
Os agentes da Receita decidiram então convocar as polícias Federal e Rodoviária, que montaram uma nova barreira no posto da BR-376 em Marialva (17 quilômetros a leste de Maringá). No início da tarde, os ônibus começaram a ser abordados pela Polícia Rodoviária. Todos os veículos pararam e os sacoleiros saíram dos ônibus, fechando a rodovia. ‘‘Nos antecipamos ao tumulto e impedimos qualquer manifestação que colocasse em risco a segurança dos usuários da rodovia ou mesmo dos compristas’’, garantiu ontem à Folha o tenente Valmor Caetano Dellê, responsável pelo comando da 4ª Companhia de Polícia Rodoviária.
Ele disse que apenas dois ônibus foram abordados, mas cerca de 10 pararam para impedir a fiscalização. O tumulto criado nas margens da rodovia obrigou os 14 fiscais a suspender a vistoria. ‘‘Os sacoleiros agiram como os motoristas de caminhão e decidiram se unir para pressionar, mas não vamos aceitar isso’’, avisou o delegado da Receita Federal. Arcanjo Valério de Lima disse que vai convocar o Exército se os compristas tentarem usar a tática de comboio e pressão para fugir da fiscalização. ‘‘Não podemos aceitar essa situação.’’

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