Recanto sobrevive por milagre, diz fundadora
O Recanto Maranata, localizado na zona sul de Londrina, em seus dois anos de existência, já atendeu centenas de mulheres com algum tipo de dependência química vindas de diversas cidades da região e de outros Estados. Segundo Isabel Escudeiro Bento, responsável pela casa de recuperação, 75 cumpriram pelo menos o prazo mínimo de permanência que é de três meses. Destas, apenas cinco, ao saírem, voltaram para a vida que tinham antes. Hoje são 12 mulheres de 14 a 38 anos atendidas.
A sobrevivência do lugar, Isabel Bento atribui a um milagre. Enfrentamos muitas dificuldades econômicas. O custo mensal da casa é de R$ 1.200,00. A única verba fixa que o Recanto recebe são R$ 900,00 de contrato de gestão firmado com a Prefeitura de Londrina.
Segundo Isabel Bento, atualmente a situação está crítica por causa de dívidas com a mercearia, no valor de R$ 400,00 e contas telefônicas que somam mais de R$ 400,00. O telefone já está cortado, porque devemos quatro meses. Não podemos impedir as meninas de usar o telefone já que suas famílias moram longe.
A expectativa de Isabel Bento é conseguir um curso profissionalizante para que as próprias mulheres do Recanto tenham uma fonte de renda. Vamos fazer um curso de culinária para vender os produtos que elas fizerem. Ela explica que a filosofia de tratamento do Recanto é não obrigar as pessoas a fazerem o que não querem e tentar estabelecer uma rotina bem próxima da normal. Trabalhamos no sentido de fazer com que não fiquem dependentes de nada. Nem de remédios, nem de terapias. Tentamos ajudá-las a encontrar força nelas mesmas, porque quando saírem daqui não terão ninguém lá fora.
O tratamento feito é de cunho religioso. Trabalhamos através da leitura da Palavra, aconselhamento, louvor. Sempre falamos para elas procurarem Deus quando a situação apertar. Apesar de ser fundamentado na religião, o tratamento não dispensa as terapias. Apenas não queremos que elas fiquem dependentes de psicólogas porque quando saírem daqui não terão este apoio, justifica. Mas quando o caso exige, nós buscamos profissionais para um tratamento frequente e sério.
A falta de profissionais que dêem um apoio neste sentido é outra dificuldade enfrentada pelo Recanto, além das dívidas. Contamos com voluntários que nem sempre são assíduos, diz. Outro serviço de apoio fundamental e que falta é o de orientação das famílias. O ideal seria que enquanto as meninas estivessem em tratamento, um trabalho paralelo fosse realizado no sentido de reestruturar suas famílias, afirma.
Em alguns casos, a situação familiar é tão grave que chega a comprometer a saída das mulheres no final do tratamento. Segundo Isabel Bento, algumas já receberam alta mas não são liberadas porque se voltarem para seus lares estarão novamente em situação de risco. Quem quiser ajudar o Recanto Maranata pode entrar em contato com Isabel, pelo telefone (43) 342-4107 ou Maria Helena, pelo fone (43) 338-6877. (E.P.)





