Recanto Maranata corre o risco de ficar no escuro
Telma Elorza
De Londrina
Por causa de menos de R$ 1,5 mil, Londrina pode perder a única instituição que atende exclusivamente meninas e mulheres dependentes de drogas. Há uma semana, a Folha mostrou a situação em que está o Recanto Maranata, localizado no Conjunto Cafezal 2 (zona sul). Até ontem à tarde, a instituição não tinha conseguido o dinheiro necessário cerca de R$ 1,2 mil para pagar as contas de serviços básicos como água, luz e telefone. O último prazo dado pela Copel para a quitação das dívidas de energia elétrica vence na quarta-feira, dia 13.
Nesta semana, nossa situação até piorou porque a casa, que já estava atendendo além de sua capacidade (apenas 15 vagas), recebeu mais três meninas. Hoje, estamos com 23, além das três crianças que estão com as mães e não têm para onde ir, explicou a relações-públicas do Recanto, Maria Helena Ferrer. Além disto, três das mulheres atendidas estão grávidas, com o parto previsto para ainda este mês. Sem energia elétrica e água, como vou atender mais três bebês?, questionou.
A casa, fundada há pouco mais de um ano, sobrevive basicamente de doações da comunidade e cestas básicas fornecidas por órgãos como a Promotoria Pública, Projeto Atendimento a Meninos e Meninas, Integrando e Garantindo Ocupação (Projeto Ammigo) e Conselho Tutelar da Criança e do Adolescente, que periodicamente enviam jovens para lá. Embora os recursos sempre tenham sido poucos já que não mantêm convênio com nenhum órgão público para repasse de verbas , o Recanto vinha conseguindo manter as contas em dia nos primeiros meses de atividade.
Há pouco mais de 60 dias, porém, a direção da instituição descobriu que uma voluntária, que se apresentou como assistente social, havia desviado o dinheiro destinado ao pagamento do aluguel e telefone, entre outras contas.
Segundo ela, a comunidade tem procurado colaborar, doando mantimentos. Recebemos de uma pessoa, que não quis se indentificar, 50 quilos de arroz, além de açúçar e feijão, contou. De acordo com Maria Helena, até moradores de Porecatu procuraram enviar mantimentos. A cidade, que é menor e mais pobre que Londrina, se sensibilizou com a nossa situação, Mas dinheiro, nem um centavo. Tivemos algumas promessas, mas até agora nada de concreto, disse.
A principal queixa de Maria Helena é com o descaso do poder público. Estamos tentando falar com o prefeito há vários dias. Fui ao gabinete dele várias vezes mas ele não me recebe. Aliás, ele parece querer que o Recanto feche. Até a declaração de utilidade pública da instituição ele vetou. Para nossa sorte, a Câmara derrubou o veto, observou. Segundo ela, nem mesmo a Secretaria de Ação Social está dando atenção ao problema (ver matéria abaixo).





