O prazo termina na próxima segunda-feira, 2 de julho, mas até ontem pouquíssimos paranaenses haviam comparecido até uma delegacia da Polícia Federal para fazer o recadastramento obrigatório de armas de fogo no Sistema Nacional de Armas (Sinarm). As críticas principais são de que as exigências são muitas e o custo é elevado. Muitos proprietários, em vez de peregrinarem para cumprir os requisitos exigidos, optaram por se desarmar. Com o fim do prazo, quem não fizer nem uma coisa nem outra poderá ser preso.
Precisam ser recadastradas todas as armas independentemente de quem seja o proprietário (pessoa física, policial civil, militar, federal, legislativo, empresa pública, privada ou órgão público). Estão liberadas apenas aquelas que tiveram seus registros renovados a partir de julho de 2004. Entre os 12 requisitos exigidos pela PF estão a necessidade de aprovação em avaliação psicológica e a comprovação de capacidade técnica para manuseio e posse. O problema é que no Paraná apenas cinco instrutores de prática de tiro foram credenciados pela Polícia Federal: três estão em Curitiba, um em Umuarama e outro em Cascavel. Já o número de psicólogos aptos para aplicarem o exame pscotécnico é maior - 55 profissionais em todo o Estado - mas ainda assim insuficiente para atender a demanda.
A Superintendência da PF em Curitiba não sabe quantos paranaenses já recadastraram suas armas. Divulgaram apenas que o número foi muito pequeno. No País, segundo a Organização Movimento Viva Brasil, apenas 2% dos 15 milhões de brasileiros que precisariam obedecer a lei tinham cumprido a determinação até o início da semana.
Situação bem semelhante à divulgada pelo Setor de Porte de Armas da Delegacia da PF em Londrina, onde o movimento cresceu somente nesta semana, quando foram atendidas cerca de 50 pessoas por dia. O advogado Leonel Eduardo de Araújo, 60 anos, esteve na PF na companhia do amigo agricultor, Nicolau Kirylko, 46, para registrar juntos as armas que possuem há anos. Ambos reclamaram do excesso de burocracia e do custo elevado: demoraram quase um mês para providenciar os documentos e desembolsaram cerca de R$ 1 mil, fora a taxa de R$ 300,00 que deveriam pagar na delegacia. ''As exigências são absurdas'', criticou Araújo. ''Mas temos que fazer porque senão você fica em situação ilegal'', completou Kirylko, que precisa da arma porque mora na zona rural. Os dois ainda tiveram que esperar quase duas horas até serem atendidos.
Sem recursos para bancar o alto custo e sem tempo para ''correr atrás da papelada'', o inspetor de alunos José (nome fictício) optou por se desfazer da espingarda comprada em dezembro de 1983 e recebeu R$ 100,00 como indenização. ''Estou entregando mas acho que o Governo deveria dar condições para a gente se defender dentro de casa'', reclamou. ''Sou do tempo em que a gente ia pescar e levava a espingarda para caçar pombinhas, mas hoje em dia já não tem mais nada disso'', recordou. O agente federal Antônio Carlos Divino concordou que a burocracia e o custo elevados fizeram com que muitos procurassem a PF entregar as armas. Mas lembrou que o objetivo do Governo era justamente este: ''restringir, ao máximo, o porte de arma pela população''. Até o início da tarde de ontem a PF tinha recebido 34 armas, entre elas uma pistola Luger, idêntica às usadas na 1 Guerra Mundial, entregue por um parente do fundador de Londrina, Arthur Thomas.

mockup