Rebeliões revelam precariedade da segurança nas delegacias
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terça-feira, 10 de novembro de 1998
Dimitri do Valle 
Kraw PenasUm cachorro da raça Pastor Belga, apelidado de Hulk, ajuda na segurança da delegacia de Alto Maracanã, em Colombo, inibindo fugas pelos fundos da carceragemA rebelião na delegacia de São José dos Pinhais expôs a fragilidade das carceragens dos distritos policiais da Região Metropolitana de Curitiba. Faltam funcionários e espaço para os presos. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, são quase 5 mil pessoas presas em delegacias do Estado, contra cerca de 2,3 mil nos presídios de Piraquara e do Ahú, em Curitiba. A situação é assim em todo o País, alega o delegado Paulo de Castro, da Divisão Metropolitana, que coordena as atividades dos 29 distritos da RMC.
No sábado, 40 dos 63 presos do distrito policial de São José dos Pinhais se rebelaram contra o comportamento de três detentos acusados de provocar brigas nas celas. Eles conseguiram que o trio fosse transferido para o Centro de Triagem, na capital. A cadeia tem capacidade para abrigar apenas 24 presos. Não há carcereiros. Os policiais de plantão acumulam a função de cuidar dos detentos e registrar as ocorrências que chegam.
Durante a rebelião, outra situação de precariedade do sistema prisional foi registrada. José Expedito Cristiano, considerado preso de confiança da delegacia, fazia um serviço que deveria ser da responsabilidade dos policiais: abrir as celas para o banho de sol dos detentos. Expedito foi pego como refém, houve tentativa de fuga, que foi evitada por policiais militares do Batalhão de Choque. O delegado José Roberto Jordão, que participou das negociações para acabar com o motim, não foi localizado ontem para falar sobre a situação da cadeia.
O preso de confiança José Expedito é apenas um exemplo das bizarras soluções encontradas nos distritos para suprir a ausência de policiais. Na Delegacia do Alto Maracanã, no município de Colombo, um cachorro da raça Pastor Belga, apelidado de Hulk, faz o papel de guardião para inibir fugas pelos fundos da carceragem. Aqui cabem 16 presos. Estamos com 28. Metade espera vagas nos presídios, lamenta o delegado Erineu Sebastião Portes. Você tem que improvisar, justifica, ao falar da presença do cão, que trabalha na delegacia há dois meses e deve ser substituído por outro animal da raça Fila, mais velho e feroz.


