Rebelião termina com transferência de nove detentos
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quinta-feira, 05 de dezembro de 1996
Paulo Ubiratan 
Com muita gritaria e ameaças, os 36 presos que superlotam o 5º Distrito Policial (zona norte) se rebelaram no início da noite de terça-feira e fizeram de refém, por mais de quatro horas, o investigador Antonino Francisco Lopes, 40 anos, que estava exercendo a função de carcereiro. O investigador não sofreu agressão. A rebelião começou por volta das 19 horas e terminou às 22h30 depois que os líderes do movimento, Wilson da Silva, Wilson Bueno e Henrique Rodrigues dos Santos, negociaram com o juiz da recém-criada Vara de Execuções Penais de Londrina, Roberto Ferreira do Vale, e o promotor da 3ª Vara Criminal, Sérgio Siqueira.
Os presos denunciaram e exigiram que fossem afastados do 5º DP os investigadores Robison, Sebastião e Avancini, acusando-os de forjar flagrantes para extorquir dinheiro das vítimas. Eles reivindicaram melhores condições de higiene, tratamento médico, sigilo de correspondência e fim da superlotação nas celas. No momento da rebelião, as seis celas, com capacidade para 24 pessoas, estavam sendo ocupadas por 36. Uma das denúncias mais graves formuladas pelos presos foi sobre a morte de um preso, conhecido por Barba. Ele teria morrido no interior de uma cela, por falta de atendimento médico. Os líderes da rebelião também exigiram, como garantia contra espancamentos, exames de lesões corporais após as revistas de praxe da Polícia Militar.
Segundo os presos, o Batalhão de Choque pratica o chamado corredor polonês, no qual os presos nus são levados para fora das celas e os policiais militares formam duas filas. Quando os presos passam entre as duas alas, recebem golpes de cassetete. A Polícia Militar, duas ou três vezes por mês, faz uma operação pente fino nas celas, para compensar a segurança externa que deixam de fazer nos distritos. O regimento interno da Polícia Militar proíbe que policiais militares façam esse tipo de trabalho.
O juiz Roberto Ferreira do Vale, na mesma noite, ordenou a transferência dos presos João Batista Alves Martins, Alexandre Rosa do Nascimento e Sindival Duarte Filho. Eles foram levados do 5º DP para a Penitenciária Estadual de Londrina (PEL). Há mais de três meses eles deveriam já estar na PEL mas, por atraso da Vara de Execuções Penais de Curitiba, a transferência não havia sido feita. Informações passadas para a Folha por funcionários da Vara de Execuções de Curitiba dão conta de que depois da notícia da instalação da mesma Vara em Londrina, os promotores da Capital deixaram de despachar processos referentes aos presos londrinenses. Ferreira do Vale não quis comentar o comportamento dos promotores curitibanos. O juiz também transferiu do 5º para o 2º DP os presos Wilson de Souza, Wilson Bueno de Moraes, os irmãos Zildo e Henrique Rodrigues dos Santos, Ramom Benedito dos Santos. Genival Astrogildo de Souza foi do 2º para o 3º DP.
Quando a rebelião foi acalmada, o delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial (SDP), Leonyl Ribeiro, foi alertado pelo juiz sobre denúncias de que os presos dos distritos têm sido vistos passeando na rua. Leonyl Ribeiro prometeu investigar a respeito, bem como as denúncias dos presos sobre policiais civis. Ontem pela manhã, Ferreira do Vale solicitou ao delegado Leonyl o levantamento da situação jurídica de todos os 256 presos nos distritos.
Leonyl Ribeiro disse ainda que vai agir com rigor para saber como Sheila Lopes Clausen e Gilberto Lopes Clausen (mãe e filho) foram resgatados do 2º distrito por três homens armados com pistolas, na noite de segunda-feira. Os fugitivos são mulher e filho do traficante Benedito Clausen, o Dito Quati, atualmente preso no presídio provisório do Ahu, em Curitiba.


