Rebelião termina com 12 feridos na cadeia de Cascavel
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terça-feira, 10 de dezembro de 2002
Gilmar Agassi<br> Equipe da Folha 
Cascavel Uma rebelião registrada durante a madrugada de ontem na cadeia pública de Cascavel terminou com um saldo de 12 detentos feridos, sendo um em estado grave. A confusão iniciada por volta das 3 horas durou mais de cinco horas, e só foi contida depois que o delegado Valmir Sóccio e o juiz da Vara de Execuções Penais, Paulo Damas, convenceram os detentos a encerrarem o motim.
De acordo com o delegado, a rebelião foi motivada, entre outros motivos, pela superlotação na cadeia que conta com 377 detentos, em um espaço destinado a originalmente a 140 pessoas. Ele observa que vários presos já foram condenados, sendo que pelo menos 25 deles possuem determinação para que sejam transferidos, imediatamente, para penitenciárias. ''Eles reclamaram também da morosidade dos processos na Justiça'', completou.
Dentre os detentos que ficaram feridos, a maioria está preso por ter cometido crime de estupro, uma barbárie repudiada até pelos bandidos. Além de serem espancados pelos próprios presos, alguns foram amarrados junto às grades. O clima ficou tão tenso durante o motim, que a parede que separava as duas alas masculinas foi quebrada.
Naquele momento, os policiais militares e civis que acompanhavam as negociações invadiram a carceragem para conter os detentos mais exaltados. Eles retiraram os feridos, que receberam atendimento na própria cadeia por uma equipe do Siate. Oito deles foram levados a hospitais, e um ficou internado, mas foi liberado ainda ontem.
Depois de muita negociação, os presos aceitaram interromper a revolta. Eles foram levados para o solário, enquanto era feita uma vistoria nas celas. Foram encontrados somente alguns ''estoques'', armas feitas com a ferragem das próprias celas. ''Precisamos de uma reforma na cadeia. Mas, o mais importante é transferir os condenados'', frisou o delegado Valmir Sóccio.
Esta foi a segunda rebelião registrada este ano na cadeia pública de Cascavel. A primeira aconteceu no mês de abril, depois que duas armas entraram na carceragem. Na ocasião, os detentos também reclamavam da superlotação na cadeia, um problema que nem a inauguração da Penitenciária Industrial resolveu.


