Curitiba - Dezesseis celas danificadas foram o saldo causado pela rebelião, de 23 horas, encerrada ontem, em Telêmaco Borba (128 km ao norte de Ponta Grossa). Além das celas, colchões e roupas foram queimados para tentar pressionar a polícia durante o tumulto. Alguns presos foram agredidos e tiveram ferimentos leves. A cadeia, com capacidade para 70 pessoas, tinha 205 no momento do motim.
Segundo o delegado-adjunto do município, José de Aquino Figueiredo, os policiais localizaram nas celas vários celulares, estoques e barras de ferro. "Se daqui a uma semana entrar na cadeia, vamos ter celular lá dentro. As mulheres deles trazem nas partes íntimas, na comida...", alerta.
De acordo com Figueiredo, o tumulto começou quando um dos carcereiros entrou nas celas para levar as marmitas, por volta das 11h30 de domingo. "Dois presos ficaram escondidos atrás dos tambores de resíduos (lixo) e, quando o carcereiro empurrou os engradados de marmita, eles levantaram e foram em direção dele", explica o delegado.
Figueiredo explicou que, logo em seguida, um investigador viu a ação e atirou, com o objetivo de assustar os presos. "Os presos voltaram para as celas e começaram a se rebelar", conta.
O motivo da rebelião, segundo a polícia, foi uma fuga ocorrida no último dia 10, quando 19 presos se evadiram e oito foram recapturados. "Sete dos recapturados foram os líderes desse tumulto. Eles não tinham o que reivindicar", comenta.
O quebra-quebra só teve uma trégua quando o Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) e o Batalhão de Choque da Polícia Militar (PM) chegaram ao local no final da tarde de domingo para continuar o processo de negociação. Entretanto, os presos mantiveram-se rebelados até a manhã de ontem, quando a juíza da Vara Criminal de Telêmaco Borba, Lídia Aparecida Martins, chegou e ouviu os detidos.
A Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) informa que 30 detentos serão transferidos e que celas receberão reparos em breve.

mockup