Rebelião suspende visitas de domingo
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sexta-feira, 13 de outubro de 2000
Dimitri do Valle De Curitiba 
A Polícia Militar decidiu cancelar as visitas de amanhã na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba. Não vou liberar por questão de segurança. Peço que os familiares dos presos compreendam, explicou o major Nemésio Xavier de França Filho, subcomandante do Batalhão de Guardas, que assumiu o controle do complexo por 15 dias depois da rebelião desta semana.
França Filho disse que iria comunicar ainda ontem os 1.402 detentos sobre a decisão. O major acredita que isso não vai servir de estopim para uma nova revolta. Isso é para a segurança de todos, ressaltou. A PM vai adotar regras rigorosas, como a lei do silêncio entre 22 e 6 horas, permancência dos presos nas celas nas próximas duas semanas, e o monitoramento de todos os objetos que entrarem na PCE.
Antigamente, não se revistava nem bolo de aniversário. Nós vamos revistar, declarou França Filho. Na tarde de ontem, um dia depois do término da rebelião, a imprensa teve acesso à ala onde os presos escavaram dois túneis para escapar. O prédio concentrava a escola e os consultórios médico e odontológico, destruídos no motim de 5 de junho. As duas passagens, abertas a 2 metros abaixo do solo, tinham mais de 20 metros de extensão e chegaram a alcançar a área externa do presídio, próximo da Casa de Força.
Para França Filho, o plano era tomar, com o uso do túnel, um jornalista ou autoridade que acompanhavam a rebelião e forçar a comissão de negociação a conceder armas e veículos para a fuga dos 16 líderes do motim. Apenas dois deles, Arlei Zucolotto e João Wilson Rodrigues, permaneciam ontem no Centro de Observação e Triagem (COT) do Presídio do Ahú, em Curitiba. Eles devem ser levados hoje para Cuiabá. Os primeiros cinco detentos de Mato Grosso chegaram no final da tarde de ontem à PCE, conforme o acordo de permuta de presos estabelecido entre os governos dos dois Estados.


