Pela primeira vez, em Londrina, presos que participaram de rebelião estão recebendo ''castigos'' pelo ato. Os mais de 100 detentos do 4º Distrito Policial (DP), que destruíram todas as celas da unidade na última segunda-feira, deverão passar 20 dias sem nenhum minuto para banho de sol e 30 dias sem receber visitas. Segundo o juiz da Vara de Execuções Penais (VEP), Roberto do Valle, as punições já eram previstas em lei, mas até então não eram aplicadas na cidade.
''Pelo que constatamos, quem está mandando nos distritos policiais são os presos. E isso eu não posso admitir'', sentenciou o juiz, justificando as medidas punitivas. Segundo ele, daqui para a frente todos os presos que promoverem destruição de celas e espancamento de colegas, como ocorreu no 4º DP, podem se preparar para ficar sem sol e sem visitas. Valle disse que as punições são destinadas somente às pessoas que participaram da rebelião, mas neste caso todos foram submetidos porque o inquérito para apurar os responsáveis ainda não foi concluído.
O juiz informou ainda que irá representar pela prisão preventiva de todos os presos, caso a polícia não consiga identificar os responsáveis pelo espancamento de quatro detentos durante o motim. ''É uma forma de pressioná-los para que indiquem os culpados. Quem receber alvará de soltura nesse tempo não poderá sair, porque ainda terá de responder por lesão corporal'', afirmou.
Por enquanto, a restrição ao banho de sol ainda não está sendo plenamente cumprida porque as celas danificadas estão em reforma. Segundo o delegado do 4º DP, Jairo Luiz Duarte de Camargo, os presos têm que permanecer no pátio enquanto cada cela passa por consertos. Ele calcula que a obra esteja pronta até hoje. ''Eles causaram estragos em todas as celas e acabaram prejudicando a si mesmos. Chegaram a ficar sem luz, porque danificaram instalações elétricas e hidráulicas'', ressaltou.
No 5º DP, onde houve fuga anteontem, o teto da cela por onde os presos escaparam já foi recuperado. Segundo o delegado Antônio do Carmo, apenas um dos 12 detentos já foi recapturado. João Paulo Nogueira estava escondido no pátio de uma igreja ao lado do distrito. A carceragem tinha 107 presos, até ontem.

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