Rebelião prossegue até segunda
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sexta-feira, 08 de junho de 2001
Israel ReinsteinDe Curitiba 
A rebelião na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba, deve acabar apenas na segunda-feira. Ontem, após 36 horas de protesto, o governo dava como certo que o motim seria encerrado com a transferência dos líderes do movimento ainda hoje. Porém, depois de concluída a negociação, os presos decidiram que só iriam na segunda-feira, uma vez faltavam documentos para a remoção de alguns detentos. Com isso, os 26 reféns devem passar o final de semana na detenção.
A proposta inicial do governo era transferir, a partir das 9 horas de hoje, os 23 líderes do movimento para os estados de Santa Catarina, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Pará e Amazonas. Tavares tinha até preparado esquemas especiais para encaminhar os detentos. Outra vez, pressionando o governo, os líderes da rebelião (que integram a organização criminosa paulista do Primeiro Comando da Capital PCC) conseguiram nova concessão do Estado, desmobilizando as escoltas programadas.
A gente só sai daqui se o bonde chegar na hora certa, avisaram os presos, por meio do advogado Jerônimo Ruiz Andrade do Amaral. A recusa foi motivada por problemas burocráticos em Santa Catarina, estado que vai receber quatro detentos. Já, para São Paulo, serão encaminhados trezes presos, sendo que Mato Grosso do Sul também vai receber quatro e Pará e Amazonas vão ficar com um detentos cada um.
Para convencer os secretários de outros estados, o secretário precisou da ajuda do governador Jaime Lerner (PFL) e, em especial, do ministro da Justiça, José Gregori. Foi graças a intervenção direta do Ministério que os governadores de Mato Grosso, São Paulo e Santa Catarina mudaram a postura contrária a transferência. Em São Paulo, o entrave estava em que os quatro cabeças do movimento (Misael Aparecido da Silva, César Augusto Roriz Silva, Gilmar Ângelo dos Santos e José Felício, conhecido como Geléia) são considerados extremamente perigosos.
Já com o estado de Mato Grosso, o governador Dante de Oliveira (PFL) manteve-se intransigente aos apelos de Gregori e também de Lerner. Mato Grosso não quis aceitar os presos e, por isso, Mato Grosso do Sul se dispôs a recebê-los, afirmou José Tavares.
Além e conversar com os governadores, o secretário e o governador tiveram que tratar também com diretores dos sistemas penitenciários, bem como com os juízes de cada um dos estados. Porém a principal costura foi realizada pelos próprios presos, por meio de seus advogados.
Enquanto estavam se rebelando, presos de outros estados estavam monitorando a revolta no Paraná. Quando ficou estabelecido que os 23 detentos queriam ser transferidos, os detentos de outros presídios do País, em especial os paulistas, avalisaram a lista de transferência.
Na remoção dos presos, o Paraná terá que aceitar outros detentos.


