Emerson Dias
De Foz do Iguaçu
Especial para a Folha
O vice-ministro da Justiça e do Trabalho do Paraguai, Fernando Canilla, em reunião realizada na tarde de ontem, definiu que será feita uma sindicância para analisar as reivindicações dos participantes de uma rebelião envolvendo também presos brasileiros, ocorrida anteontem na Penitenciária Regional de Ciudad del Este, cidade paraguaia que faz fronteira com o Brasil.
Dos 507 detentos das 30 celas divididas em quatro pavilhões, 96 são brasileiros. Desses últimos, 45 são menores entre 16 e 18 anos (no Paraguai, a responsabilidade civil é a partir dos 16 anos).
A rebelião começou às 22 horas. Os presos protestaram gritando e batendo ferros e latas nas grades, exigindo a saída do diretor da penitenciária, Geraldo Lopez Benegas. Eles reclamam da falta de estrutura, da comida e da superlotação das celas, que têm capacidade para 225 pessoas.
Os brasileiros se envolveram no motim porque além de apoiarem o pedido dos detentos por melhores condições da cadeia, também exigiam maior atuação do consulado brasileiro no Paraguai para que agilizasse a resolução do caso. - -
Alguns querem transferência para alguma penitênciária brasileira. Outros dizem que já deveriam estar soltos.
O juiz de Ciudad del Este, Victor Raul Benitez, chegou à penitenciária por volta da meia-noite, na tentativa de acalmar os detentos, que decidiram encerrar a rebelião depois de receberem a promessa de que seria feita uma reunião para discutir os problemas.
O encontro, que definiu a realização da sindicância, foi realizado ontem à tarde e, além do vice-ministro, teve a participação do juiz Benitez, do diretor geral do Instituto Penal de Assunção, Marciano Rodriguez Vaz, e do diretor Lopez, além de três representantes de cada pavilhão.
A Folha tentou falar com representantes do consulado brasileiro em Ciudad del Este sobre a possibilidade dos presos que estão detidos no Paraguai virem para o Brasil, mas não encontrou ninguém que pudesse falar sobre o assunto. A rebelião foi controlada pela Polícia Nacional, que não registrou feridos nem encontrou armas nas celas.

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