Dois detentos ficaram feridos e 34 tiveram de ser removidos após uma rebelião ocorrida no 4º Distrito Policial (DP) de Londrina (Zona Sul), na madrugada de ontem. Furiosos por terem sido impedidos de fugir, os presos arrancaram grades, arrebentaram dois cadeados, derrubaram uma porta inteira e fizeram dois colegas de reféns. Além da Tropa de Choque da Polícia Militar (PM), o delegado-chefe da Polícia Civil, Jurandir Gonçalves André, e o juiz corregedor, Roberto do Valle, se deslocaram ao 4º DP para negociar com os revoltosos.
O único policial civil que estava de plantão no distrito descobriu, por volta das 23 horas de anteontem, que os presos da cela 5 estavam abrindo um buraco na janela para tentar chegar ao pátio. O plantonista avisou os dois policiais militares que prestam auxílio ao 4º DP e a fuga foi coibida. Pouco depois, os mesmos detentos iniciaram um tumulto. A estrutura frágil da carceragem cedeu facilmente à selvageria e pelo menos 10 presos ganharam o corredor da ala, ajudando a abrir outras celas.
Os dois detentos de confiança que ficavam alojados no corredor responsáveis por receber comida e passar para os colegas, por exemplo foram tomados como reféns. ''Eles foram amarrados na grade da porta (a penúltima antes de sair da carceragem) e apanharam bastante. Os presos seguravam a cabeça dos reféns e batiam contra as grades'', relatou o plantonista.
Tanto o delegado-chefe quanto o juiz Roberto do Valle declararam que os rebelados não tinham reivindicações concretas a fazer. ''Eles só faziam aquele barulho deles. Reclamavam de comida ruim, o que não procede. Reclamavam da superlotação, o que é público e notório'', comentou André. ''Eles reclamaram da demora no julgamento dos processos, do esquema de visitas, da lotação. Mas quando dissemos que haveria transferências para a Casa de Custódia de Londrina (CCL), ninguém quis ir'', observou Valle.
Segundo o juiz, a Tropa de Choque ameaçou intervir, mas aos poucos os presos foram desistindo da rebelião. Trinta e quatro dos 86 presos do 4º DP foram removidos para a CCL. ''Ainda assim o distrito continua superlotado, com um excedente de mais de 100% de presos'', destacou André. Os detentos agredidos foram socorridos pelo Siate e, segundo o Corpo de Bombeiros, não precisaram de atendimento hospitalar. Os dois foram para a CCL.
Na manhã de ontem, vários parentes de detentos ainda buscavam informações no 4º DP. ''Ainda não sei onde, nem como está meu filho. Mas ele me avisou que isso ia acontecer'', disse a costureira Uivaldine Costa, mãe de um rapaz de 21 anos preso por roubo. ''Parece que meu filho foi transferido. Ele sempre diz que todo mundo quer ir para a CCL, que aí dentro (no 4º DP) é um inferno'', afirmou o pai de outro detento, José Donizete.
Valle informou que novas transferências teriam de ser feitas entre ontem e hoje para acomodar os presos. Trinta detentos da CCL e da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) deverão cumprir pena em regime semi-aberto na Colônia Penal Agrícola, em Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba). Vinte detentos já condenados que estavam na CCL serão removidos para a PEL.
O delegado do 4º DP, José Arnaldo Peron, irá instaurar inquérito para apurar os responsáveis pela lesão corporal dos reféns e os danos aos patrimônio público.

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