Pelo menos 10 presos morreram queimados e asfixiados numa rebelião ocorrida ontem na Penitenciária Regional de Ciudad del Este, fronteira com Foz do Iguaçu. Os detentos atearam fogo em vários colchões.


O motivo da revolta ainda não foi divulgado pela Polícia Nacional do Paraguai. A corporação acredita na morte de outros três detentos. Dezenas ficaram feridos com queimaduras. O número de mortes será oficializado após recontagem da população carcerária.

Foram quase quatro horas de tumulto. A rebelião começou às 7h30 (horário de Brasília) e terminou às 11h30, quando o Corpo de Bombeiros conseguiu controlar o fogo gerado com a queima de colchões e outros objetos. A unidade estava superlotada. Com capacidade para aproximadamente 250 pessoas, abrigava 530, parte deles composta por estrangeiros, principalmente brasileiros. A polícia não confirmou a nacionalidade dos mortos.

O motivo do tumulto teria sido um incidente ocorrido no começo de uma revista nas celas feita com objetivo de apreender armas e drogas. Um detento teria desobedecido a ordem de um guarda e caminhou para uma ala com acesso restrito. O segurança teria efetuado um tiro na perna do paraguaio, despertando a revolta dos encarcerados no pavilhão onde estavam 120 pessoas. Em seguida, um grupo ateou fogo em colhões.

O fogo e a fumaça criaram pânico generalizado na penitenciária. Muitos presos tentaram fugir. Soldados da Polícia Nacional teriam atirado contra os rebeliados para impedir a fuga em massa, que acabou não acontecendo. Dados extra-oficiais divulgados às 13 horas revelavam que, além dos mortos, cerca de 45 presos tiveram queimaduras de primeiro grau e mais de 60 ferimentos leves.

Os feridos lotaram três hospitais de Ciudad del Este e um Hernandárias (cidade vizinha), gerenciada pela Itaipu Binacional. Um deles morreu no leito. As vítimas identificadas eram Julian Rios Coronel, Sandro Marcelo, Francisco Montanya, Julio Cesar Oviedo, e um preso com sobrenome Gimenez. O Ministério da Saúde do Paraguai eslocou um avião à fronteira para levar as vítimas em estado grave para Assunção.

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