Um carcereiro é feito refém e 12 detentos ficam feridos durante rebelião no presídio Hildebrando de Souza, em Ponta Grossa. O motim começou por volta das 18 horas do domingo e só terminou com a invasão da Polícia Militar, às 23h30. O tumulto começou quando o carcereiro Luiz Carlos da Silva foi rendido e preso em um dos cubículos. Sete presos, usados como escudos pelos rebeados, foram amarrados nas grades.
O comando da rebelião era de 19 presos, que pediam revisão de processos, transferências para reduzir a superlotação, fim das operações pente-fino feitas pela Polícia Militar semanalmente, retorno de trabalhos artesanais dentro do presídio e ainda a liberação de entrada de alimentos crus e refeições mais reforçadas. Há cerca de três meses, a juíza Vânia Maria Kraemer proibiu a entrada de alimentos crus porque eles acabavam se tornando mercadoria e motivo de disputas internas.
Por volta das 20 horas, a juíza chegou no presídio e iniciou as negociações, mas segundo ela os detentos não conseguiam se organizar. ''O líder da rebelião estava visivelmente drogado e não dava andamento nas negociações'', conta. Sem conseguir um acordo, por volta das 23h30 ela autorizou a entrada da PM na carceragem.
Cerca de 30 homens ocuparam o presídio usando cães, mais de 20 bombas de efeito moral e balas de festim. A primeira ação foi voltada para a libertação do carcereiro, que saiu sem ferimentos. Depois os policiais dominaram os rebelados.
Depois que os PMs acabaram com a rebelião, o diretor do presídio, delegado Mário Machado, derrubou sua arma, um revólver calibre 38. A arma disparou e acertou a panturrilha da perna de Machado. O delegado foi hospitalizado, mas ontem pela manhã recebeu alta. Os detentos feridos foram medicados no Pronto Socorro e logo em seguida voltaram para as celas.
Para o delegado chefe da 13Subdivisão Policial, Noel Muchinski da Motta, essa rebelião foi mais violenta que a de junho quando seis presos ficaram feridos durante um motim , levando em consideração o número de feridos e a necessidade da invasão.
O presídio tem capacidade para 80 detentos, mas no domingo abrigava 137. Ontem a juíza corregedora conseguiu transferir nove para Curitiba.

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