Rebelião em Piraquara resultou em 7 mortes
As discussões sobre a criminalidade entre jovens se intensificaram na sociedade paranaense a partir do segundo semestre do ano passado, quando teve início uma série de incidentes em unidades de internamento de menores infratores no Estado. Em setembro de 2004, sete adolescentes foram assassinados e outros seis feridos durante uma rebelião no Educandário São Francisco, em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba. Dos jovens mortos, um era de Curitiba, três eram de Londrina, um de Cascavel, um de Cambé (13 km a oeste de Londrina) e outro de Jacarezinho.
Poucas semanas antes, o adolescente Cristiano Soares, 17 anos, havia sido morto por um companheiro de alojamento no Ciaadi de Foz do Iguaçu. À época, o Iasp alegou que esta tinha sido a primeira morte nas dependências de uma unidade de recuperação de menores no Paraná. No mesmo mês, Cristiano da Silva, 17 anos, foi assassinado dentro de uma cela da Delegacia de Cambé, quando aguardava autorização para ser transferido para uma unidade de internamento.
Em Londrina, a Unidade Social Oficial de Internamento (Usoil), o Educandário, foi inaugurada em julho de 2004, após sucessivos adiamentos e promessas. O prédio, localizado ao lado da Casa de Custódia (Zona Sul), foi palco de inúmeras fugas e rebeliões. No último tumulto, ocorrido em novembro, os internos destruíram praticamente toda a edificação, que está sendo reformada. A previsão é de que as obras estejam concluídas em março.
Ciente da situação caótica nas unidades de internamento de adolescentes infratores, a Folha publicou em janeiro várias reportagens sobre a criminalidade entre menores. Especialistas na área de infância e juventude, como a promotora Édina Maria de Paula, foram entrevistados, e uma série de matérias assinadas pelo repórter Alan Maschio detalhou o dia-a-dia no Ciaadi de Londrina. Maschio passou uma semana na unidade, trabalhando como educador. (F.G.)





