Rebelião e morte na Penitenciária Central
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sábado, 16 de janeiro de 2010
Diogo Cavazotti<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A Penitenciária Central do Estado (PCE), localizada em Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba), foi palco de uma rebelião que teve início na noite de quinta-feira e foi encerrada na tarde de ontem. Os presos revoltosos depredaram boa parte das instalações da unidade e mataram ao menos outros cinco detentos. O número oficial de mortos seria divulgado ontem à noite.
A rebelião começou no início da noite de quinta-feira, por volta das 20h30, quando três agentes penitenciários entraram na 10 galeria para fazer a contagem diária dos presos. Neste momento os detentos arrombaram as portas e paredes e capturaram os agentes. Logo em seguida os presos das alas sete e oito se juntaram à rebelião. Alguns detentos também foram feitos reféns. Há informações, não confirmadas até o fechamento desta edição, de que alguns dos detentos da segunda galeria, onde são mantidos os acusados de crimes sexuais, foram as vítimas fatais.
O secretário da Justiça do Paraná, o desembargador Jair Ramos Braga, e o juiz-corregedor dos presídios de Curitiba e região, Márcio Tokars, participaram das negociações. A exigência principal era a transferência de alguns presos para o interior do Estado, cada um para a cidade de origem. Eles também pediam melhorias na comida, no atendimento psicológico, modificação no sistema de visitas, verificação de penas e mais tempo para o banho de sol.
Um dos agentes reféns foi solto pela manhã, com ferimentos leves, e oito presos feitos reféns foram retirados da unidade para atendimento médico. Segundo o secretário Jair Braga, à tarde foram libertados os outros dois agentes mantidos reféns.
Subutilizados
Nesta semana, os 48 policiais militares que faziam a guarda armada do local foram retirados da PCE. Segundo nota da Secretaria de Segurança Pública, eles eram ''subutilizados naquela unidade''. A nota ainda diz que o real motivo da rebelião foi o ''confronto entre pessoas de facções criminosas rivais''. O governo do Estado divulgou que será aberta investigação para apurar o fato. Boatos davam conta de que um funcionário da unidade teria colaborado para a rebelião, inclusive disponibilizando armas brancas para os presos.
Os policiais trabalhavam no presídio desde a rebelião de 2001, quando quatro pessoas morreram. Segundo o Comando da Polícia Militar, os PMs foram deslocados nesta semana para trabalharem nas ruas em Curitiba e região.
O juiz Márcio Tokars afirmou que ontem à noite os presos seriam acomodados provisoriamente na própria PCE. Entretanto, nos próximos dias devem ser realizadas transferências, e estão sendo estudadas alternativas, como unidades do sistema federal e as instalações do presídio do Ahú, desativado há alguns anos. (Colaborou Fábio Galão)


