Rebelião destruiu maioria das celas
PUBLICAÇÃO
sábado, 29 de agosto de 1998
Vânia Moreira 
Mais da metade do minipresídio de Umuarama está interditada desde 27 de abril, quando 55 presos se rebelaram e destruíram 9 das 14 celas. Com capacidade para 50 presos, atualmente o minipresídio está com 30, encarcerados em seis celas ainda com alguma condição de uso. Para contornar a falta de espaço, os chamados presos de confiança acabam ficando em algumas das celas parcialmente destruídas, onde buracos na parede ou portas quebradas permitem acesso permanente à galeria. A vigilância tem de ser redobrada.
Mauro Ramos Lopes...nove foram depredadasDepois da rebelião, a polícia transferiu a maioria dos detentos para outros presídios. Agora, não está conseguindo vagas. Segundo o delegado-chefe da 7ª Subdivisão Policial, Silvan Rodney Pereira, os juízes corregedores de cadeias da região só aceitarão receber presos de Umuarama quando for iniciada a reforma do minipresídio. As cadeias vizinhas também têm problemas de superlotação, observa Pereira.
A destruição promovida pelos presos durante a rebelião acabou agilizando o projeto de reforma do minipresídio que havia sido anunciado no início do ano. A obra já foi licitada e dentro de algumas semanas a prefeitura começa o serviço. A reforma e a ampliação da cadeia vão custar R$ 180 mil, dos quais R$ 150 mil liberados pelo Ministério da Justiça e o restante, a ser enviado pela Secretaria de Segurança Pública do Paraná.
Além de uma reforma completa nos 1.611 metros quadrados, o minipresídio ganhará mais 100 metros de área. Serão construídas duas celas para mulheres e duas salas para atividades educativas e profissionais dos presos que atualmente fazem trabalhos de artesanato nas próprias celas ou no chão das galerias. Também será ampliada a cozinha e novas guaritas para vigilância.
Mauro Ramos LopesOs problemas mais antigo são as infiltrações e vazamentos no prédio. Quando chove, as celas ficam alagadas. Também existem canos de água quebrados vazando o tempo todoDe acordo com delegado Pereira, a reforma vai resolver todos os problemas do prédio. O mais antigo são as infiltrações e vazamentos. Quando chove, as celas ficam alagadas. Também existem canos de água quebrados vazando o tempo todo. Condenado por assaltos, Célio Medina, 28 anos, diz ser obrigado a dormir no chão, porque a cama está sempre molhada. A situação piorou depois que os presos quebraram partes das paredes de concreto, grades, tubulações e instalações sanitárias.
A rebelião aconteceu depois que três policiais mataram a tiros o traficante Joel Fernandes dos Reis, de 27 anos. O preso foi morto dentro do carro da Polícia. Ele estava sendo transferido para a cadeia de Cruzeiro do Oeste porque dias antes liderara um princípio de rebelião por causa da falta da água.
Segundo os policiais, Reis tentou saltar do carro. Depois da rebelião, mais de 80% dos presos foram transferidos. Os condenados foram levados para as penitenciárias e os que ainda aguardavam julgamento, para cidades vizinhas. Agora, está ficando lotado de novo. Novas transferências de presos só quando começar a reforma.


