Curitiba - A crise da superlotação e de falta de funcionalismo das delegacias e distritos policiais de Curitiba está causando problemas para área de segurança da Capital. No final da tarde de ontem, a situação se agravou na Delegacia de Furtos e Roubos de Curitiba, com a eclosão de uma rebelião que, por pouco, não termina em tragédia. A delegacia abriga 110 presos, quando sua estrutura não comporta mais de 60. Os presos atearam fogo em colchões e na estrutura acrílica que serve como telhado. Todas as dependências da delegacia ficaram em chamas.
Além dos Corpo de Bombeiros, chamado ao local para conter o fogo, os policiais do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) ajudaram a conter a rebelião. Até o fechamento dessa edição, não havia informações sobre feridos. Os policiais da delegacia contaram que houve também muitas agressões entre os presos. A explicação para a superlotação é que a Vara de Execuções Penais (VEP) não estaria autorizando as transferências dos presos para o sistema penitenciário.
Mas a situação é crítica também em outros locais. O 8º Distrito Policial, recentemente reformado, encontra-se hoje com 105 presos, quando a capacidade máxima é de 44 detentos. O 3º Distrito Policial também está superlotado, com 100 presos, quando o limite é de 46 detentos.
Hertel Rehbein, delegado do 8º DP, diz que a falta de pessoal acaba interferindo, por exemplo, na saúde dos presos, uma vez que estes têm o direito a consultas médicas e odontológicas, e falta pessoal para fazer o acompanhamento. Os funcionários estão, também, acumulando funções, como o investigador que acumula as funções de carcereiro e agente de reclusão.
Para contornar a crise, o 8º DP conta a ajuda voluntária da população, de empresas de ônibus e de estabelecimentos comerciais vizinhos. ''A instalação de câmeras de segurança foi patrocinada pela comunidade vizinha. Assim como muitas latas de tinta foram doadas para que fizéssemos a pintura da delegacia'', conta Rehbein.
Carlos Alberto do Amaral, do 3º DP, diz que o distrito não tem equipe de investigação, e, quem o faz, é a equipe do plantão. ''O nosso serviço é cobrado, mas não há condições para exercê-lo'', comenta Amaral.
A Folha tentou ouvir o governo sobre o problema, mas não obteve retorno até às 20 horas. (Colaborou Vânia Casado)

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