Lúcio Flávio Moura
De Londrina
Uma rebelião que durou nove horas destruiu, na madrugada de ontem, as dependências internas da Prisão Provisória de Londrina (PPL). O motim começou às 20 horas com uma tentativa frustrada de fuga de três presos no momento em que os carcereiros trancavam as celas. Um preso – Nicodemus dos Santos, 27 anos –, que teria sido espancado pelos policiais, fraturou um braço e está internado em observação no Hospital Universitário.
Tudo começou quando três carcereiros foram rendidos e levados como reféns para a área externa do prédio. Os fugitivos recuaram quando viram outros três agentes penitenciários que faziam a cobertura do lado de fora e iniciaram a rebelião, que envolveu quase todos os 196 detentos do presídio.
Com uma das 24 celas interditadas por ter um buraco no teto feito em uma recente tentativa de fuga, a PPL tem capacidade atual para 138 presos. O presídio foi inaugurado em julho de 1998.
Ontem, o presídio deu exemplos de como é inseguro. As portas das celas foram arrancadas com facilidade. Os amotinados só precisaram remover os pinos das dobradiças. Grades foram destruídas e vidraças foram quebradas. A cozinha foi revirada e parcialmente destruída.
O clima ficou mais tenso com a chegada de 60 homens da tropa de choque da Polícia Militar, às 22 horas. A partir daí, as negociações foram comandadas pelo delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial, Wanderci Corral Fernandes, auxiliado pelo delegado-adjunto Acácio Gonzaga de Azevedo e pelo diretor do presídio, Eurico Hummig.
Durante toda a madrugada, eles negociaram com uma comissão escolhida pelos presos entre os colegas. As reivindicações incluíam 20 itens. Entre os mais importantes estavam a remoção de detentos já condenados, a agilização na tramitação dos processos no Judiciário, o pagamento dos advogados (hoje com os salários atrasados) bancados pelo convênio suspenso entre a OAB e o governo estadual, a ampliação em uma hora do prazo para visitas e a melhoria no atendimento médico e odontológico. A rebelião foi controlada às 5 horas, depois da promessa dos delegados em analisar a pauta de reivindicações a partir de amanhã.
Com o fim do motim, os presos foram comprimidos provisioriamente na ala menos danificada, onde foram feitos, pelos próprios detentos, pequenos reparos nas portas e nas grades. Ao amanhecer, eles foram deslocados para o pátio interno, onde deveriam permanecer até o final da tarde, horário programado pelos policiais militares para a revista definitiva.
O delegado Fernandes disse que tentará remover parte dos rebelados para suas cidades de origem e outra parte para a Penitenciária Estadual de Londrina. Ontem, a polícia procurava, sem sucesso, serralheiros para consertar os estragos nas celas e galerias para dar condições de abrigar o restante.
Newton Moratto, presidente do Conselho Comunitário de Segurança, afirmou que a fragilidade do sistema de segurança da PPL ‘‘é uma prova do descaso do governo estadual com a segurança’’. Moratto disse que a entidade que preside deverá encomendar estudos e buscar soluções com engenheiros ‘‘para os graves problemas na estrutura do presídio’’.

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