Curitiba - Um início de rebelião na tarde da última terça-feira, no pátio externo do Centro de Socioeducação (Cense) São Francisco, em Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba (RMC), chamou a atenção para a situação dos jovens detidos no local. Cerca de 20 adolescentes se envolveram em um tumulto que deixou três educadores feridos. Eles foram encaminhados para o Hospital Angelina Caron, em Campina Grande do Sul. Dois já foram liberados e outro ainda está em observação. Nenhum adolescente ficou ferido.
A confusão, em que menores tentaram agredir educadores durante o intervalo das atividades escolares, começou por volta das 15 horas e foi controlada meia hora depois, com o auxílio da Polícia Militar (PM). Segundo Roberto Bassan Peixoto, coordenador de socioeducação da Secretaria de Estado da Criança e Juventude (Secj), um possível plano de fuga não foi colocado em prática devido à rápida ação da segurança. ''Uma situação de crise como essa pode ocorrer a qualquer momento'', alerta o coordenador, explicando que o número de educadores é adequado ao número de internos.
Informações dão conta de que o clima no local estava tenso há algum tempo. Peixoto, porém, afirma que no momento a situação é tranquila e as medidas cabíveis já estão sendo tomadas, como o registro de boletins de ocorrência para maiores de idade e medidas disciplinares internas para os menores. Ele não soube informar quantos envolvidos eram maiores e quantos menores. Os jovens envolvidos ainda estão no São Francisco, mas os responsáveis pelo local estudam a necessidade de transferência.
O Centro abriga jovens infratores com idades entre 12 e 18 anos. A capacidade é para 150 jovens e hoje abriga 148 jovens.
Revoltas não são novidade no São Francisco. Em 2006, o antigo Educandário foi alvo de uma rebelião liderada por seis jovens e que acabou na morte de um interno. O caso mais grave aconteceu em 2004, quando uma rebelião resultou na morte de sete internos e ferimentos em cinco. Os motivos citados na época foram superlotação e a rixa entre jovens da Capital e do interior. Peixoto informa que, hoje, essa rivalidade não existe e que a maioria dos internos é da RMC.

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