Maria Tereza Boccardi
De Foz do Iguaçu
Especial para a Folha
Três presos ficaram feridos e um policial foi baleado com quatro tiros durante uma rebelião, ontem, na Cadeia Pública de Foz do Iguaçu. Houve troca de tiros entre detentos e policiais e o motim só foi controlado cerca de duas horas depois do início (7h20), quando a munição dos presos terminou.
A superlotação é apontada como a principal causa do motim. A cadeia tem capacidade para 168 presos e, ontem, abrigava 402, dos quais 160 já julgados e condenados. O local também abriga detentas. A segurança era feita por apenas sete policiais – quatro civis e três militares.
A rebelião começou por volta das 7h20, quando o policial Valdemir Neves subiu ao pavilhão para abrir a cela dos presos albergados – que só dormem na cadeia. Armados com revólveres, os detentos dispararam quatro tiros contra Valdemir. Segundo a Polícia Civil, eles tinham três revólveres.
Após dominar o policial, os presos quebraram uma coluna de concreto do corredor – que serve como respiro dos recintos – e atiraram três colegas de uma altura de aproxidamente seis metros.
Entre os detentos jogados estava José Bitencourtt, de 18 anos, preso anteontem acusado de violentar e matar Ricardo Augusto da Silva, de 10 anos. Os três presos jogados sofreram apenas ferimentos leves. Enquanto isso, outros policiais subiram ao prédio para ver o que havia acontecido e encontraram cerca de 40 detentos na porta, prontos para fugir.
Segundo o delegado-chefe da 6ª Subdivisão Policial de Foz do Iguaçu, Luis Carlos Artigas, os presos começaram a atirar quando os policiais iniciaram o cerco da cadeia para conter a rebelião. Durante o motim, os presos atearam fogo em colchões e a fumaça tomou conta do prédio.
Aproximadamente duas horas depois do início, por volta das 9h30, as polícias Civil e Militar conseguiram conter a rebelião, porque a munição dos presos havia acabado. Para conter os detentos também foram jogadas várias bombas de efeito moral. O delegado não soube informar quantos policiais participaram da operação.
‘‘Pelo número de tiros que eles (presos) deram, com certeza, tinham muita munição’’, comentou Artigas. O delegado disse que a polícia vai investigar como as armas entraram na cadeia. Artigas afirmou também que existem várias possibilidades para isso, como terem sido levadas por alguém ou até passadas pelos vãos dos corredores, utilizados para a circulação do ar.
O delegado informou que conseguiu 56 vagas na Penitenciária Central do Estado, em Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba). Quatro celas ficaram destruídas e foram interditadas. Artigas disse que a solução de imediato seria retirar pelo menos os 160 presos já condenados. Segundo ele, três presos sofreram apenas ferimentos leves. ‘‘Dois se feriram com estilhaços do cimento das paredes na troca de tiros com a polícia. O outro teve um ferimento superficial provocado por bala.’’
Artigas informou ainda que o estado do policial baleado, até o final da tarde de ontem, era grave. Valdemir Neves estava internado na Santa Casa, em estado de coma. Dois dos quatro tiros que ele recebeu atingiram o peito.
No final da tarde, o juiz corregedor Rui Mugiatti expediu 14 alvarás de soltura para presos que aguardavam sentença. Eles foram libertados no centro de Foz, como mostrou uma rede de televisão. O delegado Herculano Augusto de Abreu, da 6ª Subdivisão Policial, não soube informar, às 19h30, se outros alvarás foram expedidos.

RAIO X
- Nome: Cadeia Pública de Foz do Iguaçu
- Localização: bairro Três Lagoas (região leste da cidade)
- Inauguração: 1992
- Número de alas: 4
- Número de celas: 42
- Capacidade: 168
- Lotação de ontem: 402
- Detentos já condenados: 160
- Policiais na segurança: 7 (4 civis e 3 militares)Presos estavam armados e se amotinaram por duas horas; prédio tem capacidade para 168 mas abriga 402 pessoas
Ney de SouzaCENÁRIO DO CAOSO motim começou às 7h20 e, duas horas depois, os policiais conseguiram dominar a situação e entrar no pátio; a munição dos presos havia acabado

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