A Polícia Militar frustrou ontem à tarde uma tentativa de fuga no Educandário São Francisco, em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba. A instituição é a única do Estado que abriga menores infratores. Cerca de 60 internos provocaram uma rebelião que durou três horas. Eles fizeram quatro funcionários como reféns, que foram libertados por policiais do Batalhão de Choque e do Comando de Operações Especiais (COE). Porém, durante os primeiros minutos da rebelião, dois menores escaparam.
Três garotos foram conduzidos à delegacia de Piraquara. Os internos Fabiano Anastácio, além dos menores L.S. e J.A.C foram acusados de liderar a tentativa de fuga. Vidros, portas e a mobília da ala A, onde a rebelião aconteceu, foram quebrados. Aproximadamente 150 policiais foram destacados para impedir uma eventual fuga em massa do educandário.
O motim começou por volta das 13h30 no refeitório. Dois educadores conseguiram fugir, mas saíram feridos depois de serem atingidos por pauladas e pedradas. O funcionário Luiz Carlos Favoretto foi hospitalizado. Ele recebeu pancadas na cabeça. Com a PM cercando o educandário, os rebelados disseram que só negociariam na presença do juiz da Vara da Infância e Juventude, Gil Francisco Guerra. Segundo ele, os internos queriam armas e carros para fugir com os reféns. ‘‘Não havia qualquer reivindicação. O objetivo era a fuga’’, disse.
Todas as negociações foram encerradas por volta das 15h30. Os rebelados insistiam no plano de fuga. Meia hora depois, homens do COE e do Batalhão de Choque invadiram o educandário. Eles atiraram várias bombas de efeito moral para dispersar os adolescentes. Os quatro reféns saíram ilesos do resgate. Pedaços de madeira, facas de cozinha, chaves de fenda e estiletes usados como armas foram apreendidos após o final da rebelião. Durante as negociações, circulou a informação de que os internos reclamavam de medidas disciplinares e da superlotação.
O educandário tem capacidade para abrigar 120 menores. Mantinha 165 até ontem. De acordo com o presidente do Instituto de Ação Social do Paraná (IASP), Aluísio Pacheco, o número atual de menores não preocupa. ‘‘Esta população é a ideal’’, comentou o presidente do IASP, autarquia vinculada à Secretaria Estadual da Criança. O juiz Gil Guerra disse que as normas disciplinares aplicadas no educandário, que teriam provocado a rebelião, seguem as determinações do Estatuto da Criança e do Adolescente.

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