Cerca de 15 dias depois do início de seu funcionamento, a Unidade Social Oficial de Internação de Londrina (Usoil), localizada ao lado da Casa de Custódia (Zona Sul) começa a enfrentar problemas. Adolescentes internados na instituição se rebelaram, na tarde de ontem, e promoveram destruição de grande parte das instalações. Armados com estiletes e estoques, a maioria dos 49 adolescentes conseguiu sair das celas e ganhar o telhado da instituição. O Pelotão de Choque da Polícia Militar foi acionado e conteve a rebelião. Não houve fuga mas dois internos ficaram feridos e foram encaminhados ao Hospital Universitário com escoriações.
Segundo informações colhidas no local, o clima na unidade, que recebeu os primeiros internos no último dia 26, estava tenso desde a semana passada. De acordo com servidores, funcionários de uma empresa terceirizada e policiais, os adolescentes vinham promovendo pequenos tumultos no interior da unidade diariamente. Por volta de 12 horas de domingo, um interno teria conseguido fugir, pulando a cerca que fica nos fundo. No local está sendo construído um muro e a obra deve demorar pelo menos mais 20 dias para ser concluída. Um policial militar, que participou do trabalho de contenção da rebelião, comentou que ''a unidade não tem segurança nenhuma''.
Assim que a situação saiu do controle, os funcionários teriam se dirigido até a administração. Um grupo de rebelados teria tentado fazer como reféns dois internos que ficam em uma cela separada, considerada mais segura. Os dois, porém, teriam conseguido fugir e não chegaram a ser rendidos. Em seguida, os rebelados alcançaram os telhados da unidade e tentaram fugir pelo gramado mas foram contidos.
Autorizados pela Secretaria de Estado de Emprego, Trabalho e Promoção Social, 40 policiais do Pelotão de Choque entraram na Usoil. Utilizando-se de bombas de efeito moral e balas de borracha, os policiais acabaram com a rebelião e fizeram uma revista geral. De acordo com o capitão Fábio Luiz Rincoski, as instalações das galerias ficaram bastante danificadas. Os menores, segundo ele, não fizeram exigências e entregaram grande quantidade de estiletes, estoques feitos à partir de objetos que eles teriam arrancados das paredes e de equipamentos eletrônicos. Rincoski preferiu não fazer comentários sobre as condições de segurança da unidade.
O diretor da Usoil, Tito Valle, não quis falar com a imprensa. A chefe do escritório regional da secretaria estadual de Emprego, Trabalho e Promoção Social, Suely Beggiato, disse que as causas da rebelião e como ela teria começado ainda estavam sendo apuradas até o início da noite. Suely negou falhas no sistema de segurança e também não confirmou a fuga que teria ocorrido no domingo, quando os internos receberam pela primeira vez a visita de familiares. Dos 49 adolescentes internos, apenas cinco são de Londrina. O restante foi transferido de delegacias de todo o Estado.

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