Rebelião apressa a reforma do 4º DP
PUBLICAÇÃO
domingo, 13 de julho de 1997
Edmara Michetti Londrina 
Uma rebelião ontem no 4º Distrito Policial, na zona sul de Londrina, acabou com a transferência de oito detentos para o 3º DP, na região oeste, e a antecipação da reforma interna do local para reforçar a estrutura física. Dois presos que estão doentes (um com Aids e outro com uma úlcera estourada) serão encaminhados ao hospital hoje. Os outros 55 detentos do 4º DP devem ser transferidos para o 5º DP, na zona norte, entre hoje e amanhã. Não houve ameaças e ninguém saiu ferido.
A rebelião começou às 11 horas quando os presos colocaram fogo em colchões, arrebentaram os cadeados das grades e derrubaram parte das paredes que dão para o corredor das celas. Seis viaturas da Polícia Militar foram chamadas para reforçar a segurança. A confusão só foi controlada pouco antes das 15 horas com a chegada da juíza substituta da 1ª Vara Criminal, Oneide Negrão de Freitas.
A intenção da juíza era transferir todos os 65 presos para o 5º DP ontem mesmo. Depois de uma visita ao 5º DP, a juíza e o delegado adjunto da 10ª Subdivisão Policial (SDP), Wanderci Corral Fernandes, concluíram que o local, ainda com materiais elétricos e de construção espalhados por toda a parte, não oferecia condições de abrigar os detentos. A expectativa é que o 5º DP, o primeiro a entrar em reformas internas, seja entregue hoje. Se o Decom (Departamento Estadual de Construção, Obras e Manutenção) não concluir não nos responsabilizamos porque eles vão fugir. Não temos como segurar, teme a juíza. Segundo Oneide, ontem foi feita uma espécie de acordo com os detentos. Os que continuam no 4º DP, segundo ela, garantiram se comportar até às 17 horas de hoje desde que fossem transferidos logo depois. Não existe a mínima condição de ficarem aqui, reclamou a juíza.
Os presos, segundo o delegado, reclamaram de tudo - superlotação (são 10 por cela enquanto a capacidade é para quatro), demora no andamento dos processos judiciais e problemas de saúde. Uns 50 reclamaram que já deveriam estar julgados e fora daqui, disse a juíza que se comprometeu a rever todos os casos. Os nomes dos oito presos levados para o 3º DP foi dado por eles próprios. Com isso, o 3º DP, que tem oito celas, ficará com 70 presos. No cronograma das reformas dos DPs, o 3º seria o próximo.
Antes de retornarem para as celas, os presos passaram por uma revista, entregando vários estoques. Eles foram colocados nas quatro celas e no corredor, dividindo espaço com os tijolos derrubados das paredes. Diante da situação, a guarda do 4º DP foi reforçada durante a noite. Dez policiais militares fariam a guarda externa e outros quatro policiais civis reforçariam a segurança interna. No 3º DP a guarda será normal.


