Numa clara demonstração de força da delinquência juvenil, um grupo de adolescentes infratores internados no Centro de Socioeducação (Cense) de Londrina - o Educandário -, na Zona Sul, promoveu uma rebelião de sete horas. A confusão começou por volta das 21 horas da sexta-feira e só teve fim às 4 horas de sábado, quando os últimos seis reféns (um educador e cinco adolescentes) foram liberados. Todos saíram feridos. A unidade estava com 55 menores.
Os rebelados atearam fogo em todos os colchões, depredaram a enfermaria, o consultório odontológico e grande parte do prédio, incluindo o telhado, onde estenderam uma faixa com as iniciais da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Ainda de madrugada, 30 adolescentes foram transferidos provisoriamente para uma ala isolada do Centro de Detenção e Ressocialização (CDR) e o restante foi encaminhado para a outra unidade do Cense, no antigo Ciaadi.
Acionada para negociar a rendição dos adolescentes rebelados, a promotora da Vara da Infância e Juventude, Édina de Paula, chegou à unidade por volta de 1h30. Antes disso, pelo menos 50 policiais militares (inclusive homens do Pelotão de Choque) acompanhavam do lado de fora a depredação do prédio. A rebelião, segundo a promotora, teria começado por um descuido de um educador que não teria fechado corretamente uma algema durante escolta de dois internos de uma ala para outra. Ele acabou sendo rendido junto com outro colega de trabalho. Com domínio da situação, os adolescentes também fizeram reféns cinco adolescentes que estavam numa ala chamada de ''seguro'', onde ficam aqueles que estão sendo ameaçados pelos demais.
A partir daí, os adolescentes rebelados acessaram outros setores da unidade - como a enfermaria, oficinas e salas de estudo - e começaram um quebra-quebra generalizado. Com a chegada da Polícia Militar, eles atearam fogo nos colchões, que haviam sido entregues há cerca de duas semanas, além de queimarem também móveis e outros pertences e utensílios. Eles também destruíram as salas de transição de uma ala para outra. Rapidamente chegaram ao telhado, de onde gritavam palavras de ordem e tentavam intimidar os educadores e os policiais atirando pedaços de ferro. Na caixa d'água, colocaram uma bandeira improvisada do PCC.
Pouco mais de uma hora após o início da rebelião, o grupo de líderes liberou um dos educadores e um adolescente que estavam machucados sem gravidade. Pelo rádio do educador, eles ameaçavam matar os reféns mas não faziam nenhuma reivindicação mais clara ao tenente Nelson Villa Júnior, que travou os primeiros contatos. Já para a promotora, o grupo ''reclamou da comida, dos chinelos e pediram cigarro, refrigerante, pizza''. Enquanto isso, o Pelotão de Choque aguardava do lado de fora porque não se tinha informações sobre a situação dos reféns. Apenas os bombeiros atuavam mais ativamente na tentativa de acabar com os focos de incêndio, enquanto policiais e educadores continuavam nas negociações e protegiam o prédio para evitar tentativas de fuga.
Às três horas, dois adolescentes feridos levemente deixaram a unidade e foram encaminhados para a Santa Casa. Os menores foram liberados logo no início da manhã de ontem. Já passava das 4 horas quando a promotora indicou que a rebelião havia acabado. Por causa da extensão dos estragos provocados, 30 dos 55 internos foram transferidos emergencialmente para uma ala isolada no Centro de Detenção e Ressocialização (CDR), que fica em frente ao Educandário e foi inaugurado no início do mês para abrigar 860 presos condenados. Mas, conforme a promotora, os internos só devem ficar no local até amanhã, quando o Instituto de Ação Social do Paraná (Iasp) deve indicar para quais unidades para adolescentes infratores no Estado eles devem seguir. (Colaborou Fernanda Mazzini)

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