Rebeldia inicial deu lugar à compreensão
Órfão aos quatro anos de idade, Leandro Pontes Zaran, hoje com nove anos, vivenciou um ano de intensa crise até se acostumar com a ideia de não ter mais os pais. Criado pela avó paterna, Aparecida Ferreira da Silva, desde que nasceu, é com ela que ele vive hoje, depois de um período na casa dos avós maternos.
Avó e neto dividem uma casa simples, no Jardim do Sol, Zona Oeste de Londrina. Aparecida trabalha como cuidadora de uma idosa para custear a escola particular onde Leandro estuda. ''Como eu trabalho o dia inteiro, contratei uma senhora para ficar com ele e levá-lo para a escola'', explica.
Ela lembra que o filho foi pai aos 15 anos e sempre morou com ela. ''Ele não casou, mas a namorada dele também vivia em casa até acontecer o acidente'', comenta Aparecida, contando que aos 19 anos, o único filho e a nora sofreram um acidente de moto: o rapaz morreu na hora e a moça, um ano mais velha que o namorado, não resistiu aos ferimentos e faleceu no hospital.
''Leandro tinha quatro anos e cinco meses. Foi difícil. Ele estava acostumado a morar comigo, mas a outra avó ficou com a guarda e ele ficou muito revoltado, rebelde mesmo. Foi um ano na Justiça lutando.''
Segundo a avó, apesar de não gostar de falar sobre a morte dos pais, Leandro é um garoto feliz. ''Não o reprimo, deixo-o à vontade para brincar, passear e falar o que quiser, contar tudo. Digo que sou sua amiga verdadeira e que ele pode conversar comigo sobre qualquer assunto.''
Aparecida pensou que Leandro não se recuperaria tão facilmente, já que quando voltou a morar com ela, um ano após a morte dos pais, xingava e até chutava a avó. ''Falei para ele que sempre vou amá-lo e que respeito é muito importante. Ele entendeu e hoje me tem como um exemplo positivo.'' Apesar de toda a tragédia familiar, Aparecida garante que o neto tornou-se uma criança decidida, responsável, estudiosa e cheia de amigos. ''Todo mundo o adora.'' (M.G.)





