Rebelado não conhece filho de 1 ano e 4 meses
Rebelado não conhece
filho de 1 ano e 4 meses
Marcelo AlmeidaMárcio da Silva (à dir.) participou do motim para poder receber visitas
O curitibano Márcio Pereira de Souza da Silva, 22 anos, um dos três presos que negociaram as transferências dos 22 detentos com os juízes, disse que não aguenta mais humilhação e sofrimento. Condenado há oito anos de prisão por assalto, ele disse que a maior mágoa que sente é nunca ter visto seu segundo filho, um menino de um ano e quatro meses. Silva tem ainda uma menina de quatro anos, que não vê desde que foi preso, há um ano e seis meses.
Esse também é o tempo em que ele não vê o sol, a não ser pelo quadrado da janela da cela, que divide com outros três presos. Apesar dos dentes cariados e da pele branca, é a falta de visitas dos familiares que mais castiga Silva e que o levou a participar da rebelião.
Marcelo AlmeidaEm celas superlotadas, presos nunca saem para tomar solSilva disse que todos os 22 presos que participaram do motim já foram condenados. A manutenção deles em delegacias é irregular e eles queriam ser transferidos para ter a chance de voltar a tomar banho de sol e trabalhar, atitude que pode diminuir o tempo de prisão. Outros presos, só porque são mais abonados, ficam pouco tempo aqui, mas a gente...
Silva disse que a intenção dos revoltosos não era ferir alguém, mas chamar a atenção da imprensa e das autoridades para a situação que vivem. Por causa da revolta, ele poderá realizar o sonho de conhecer o filho em breve. Talvez amanhã, dia de visita na Colônia Penal Agrícola. (J.A.)





