Rebeca pode ganhar uma nova família
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sexta-feira, 20 de janeiro de 2006
Marta Ortega<br>Reportagem Local 
Rebeca, o bebê abandonado na noite de terça-feira num matagal da BR-369, pode ganhar uma nova família em poucos dias. O pedido para colocação em família, mediante guarda provisória, foi feito na quarta-feira pela assessora jurídica do Ministério Público, Carolina Ramos Sodré de Castro. O documento foi encaminhado à juíza da Vara da Infância e Juventude, Fabiana Leonel Ayres Bressan, que deferiu o pedido. A Assistência Social do Fórum aguarda apenas a chegada da determinação judicial para encaminhar o processo. O primeiro casal da lista de 60 que estão na fila de espera para adoção deve assumir a responsabilidade de cuidar de Rebeca (nome recebido no hospital).
O delegado do 2º DIstrito Policial (DP), Marcos Fernando da Silva Fontes, informou ontem que ainda não tem pistas da mãe ou da família do bebê de cerca de 20 dias. ''Recebi a notícia-crime há menos de 24 horas e tenho um mês para apurar o caso'', disse.
A criança abandonada, supostamente pela mãe, foi encontrada por policiais militares e está sob os cuidados de uma instituição social. A partir da entrega do bebê, o casal apto para adoção ganha a guarda provisória e permanece com a criança por um período de um mês, quando deve dar entrada na documentação para adoção. Todo o processo é sigiloso.
No caso de Rebeca, o processo deve ser rápido, porque a criança atende as principais características exigidas pela maioria dos casais. ''A preferência é por bebês de zero a seis meses, sexo feminino, cor branca e saúde perfeita'', afirmou Carolina. Exigências como essas, segundo ela, fazem com que casais permaneçam na fila de espera, em média, quatro anos. ''Quando os casais são mais flexíveis, é possível agilizar a adoção.''
A prioridade, segundo ela,''são os direitos da criança''. ''O objetivo é sempre manter a criança com a família, desde que se comprovem condições psicológicas, emocionais e materiais''. Todo um trabalho de reintegração com a família é feito, inserindo os envolvidos em programas sociais, que ofereçam condições para que a família não seja desfeita. No caso de Rebeca, a assessora jurídica entende que a família quer doar a criança. ''Quem larga uma criança num matagal, naquelas condições, no mínimo não quer essa criança'', afirmou.
Processo Em caso de adoção, um processo seletivo é feito com pessoas interessadas, casais ou mesmo pessoas solteiras, que perante a lei têm o mesmo direito de adoção. O processo é realizado pelo Serviço auxiliar da Infância e Juventude (SAI), que funciona no Fórum.
Segundo a assistente social do SAI, Cláudia Maria Ferreira, os interessados em adotar uma criança devem fazer um cadastro na Vara da Infância e Juventude. A documentação com o requerimento terá entrada no cartório da Vara da Infância e Juventude, onde será aberto o processo. ''A partir da determinação do juiz, será realizado o processo psicossocial, que consiste no estudo psicossocial dos casais ou do interessado na adoção.''
O estudo prevê o contato com o casal, através de entrevista psicossocial. ''O comportamento do casal, as condições em que vivem, o local, o objetivo da adoção, os motivos, tudo isso é avaliado'', informou. Um relatório é enviado para o parecer do Ministério Público e para a sentença do juiz, que habilita ou não os interessados. ''Só depois da sentença judicial é que os casais são incluídos na lista de espera.'' O tempo de avaliação depende de cada situação.
O processo inverso, quando os pais querem doar os filhos, é feito da mesma forma. ''Fazemos a abordagem, avaliamos a situação e identificamos o problema''. Na maioria dos casos, os casais e os filhos são encaminhados para programas sociais. ''Fazemos o possível para que a criança permaneça com a família'', afirmou.
No caso de adoção, depois de um mês, se o casal não se adapta à criança, o processo é reiniciado para outro casal. ''Os casos de devolução de bebês são mínimos.'' Já para crianças maiores é feito um estágio de convivência para que ambos possam se adaptar. ''São casos mais complicados'', afirmou Cláudia, sem precisar o número de crianças cuja adoção não teve um resultado positivo.


