O rebaixamento do Lago de Itaipu formou pelo menos 40 pequenas lagoas num trecho de 170 quilômetros de Foz do Iguaçu a Guaíra. O levantamento, realizado pela Itaipu Binacional durante um sobrevôo esta semana, foi divulgado ontem pelos técnicos ambientais da usina. A hidrelétrica garante monitorar os pontos onde existe necessidade de salvar os peixes presos em lagoas formadas pelo recuo da água.

Caso seja constatada a ameaça à espécie, os técnicos abrem canais para os peixes irem até regiões mais fundas. Segundo a usina, 25 canais tiveram de ser abertos para evitar a mortandade de peixes, num procedimento considerado normal pelos técnicos. ''As lagoas se formam em regiões planas, independentemente da cota do Lago de Itaipu'', argumenta o veterinário Domingo Fernandez. O telefone do Disque-Rebaixamento é (45) 520-6952.

Pescadores da região de Guaíra, entretanto, denunciam que milhares de peixes e alevinos estariam morrendo por causa do rebaixamento. Há uma semana, a Folha percorreu um trecho do lago na região das antigas Sete Quedas e encontrou peixes mortos ao longo das margens. Conforme o biólogo Hélio Martins Fontes Júnior, da Itaipu Binacional, as lagoas têm muitos lambaris que podem ser confundidos com filhotes de outras espécies.

A usina nega a mortandade de espécies, justificando que o monitoramento é feito também em embarcações equipadas com redes e cordas. Conforme a Divisão de Imprensa, as equipes medem a temperatura e o oxigênio da água para verificar se é necessário abrir canais para o desvio dos peixes. Conforme a assesoria, as condições do reservatório se mantêm estáveis, embora a cota, ontem, estivesse em 217,71 metros acima do nível do mar (quase um metro e meio abaixo do normal).

A redução, iniciada em 1º de outubro a pedido do Operador Nacional do Sistema (ONS), visa aproveitar a água acumulada para aumentar a produção de energia da Itaipu Binacional e socorrer os Estados afetados com a crise energética. Operação semelhante foi adotada há dois anos, quando a cota caiu de 219 metros (novembro de 1999) para 215 metros (janeiro de 2000). Especialistas acreditam que o atual aviltamento seja menor devido às últimas chuvas no Sudeste do Brasil.

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