Rebaixamento e contorno são alternativas
Em Maringá (Noroeste), a discussão sobre a presença da linha férrea no Centro da cidade é antiga e as soluções começaram a ser esboçadas ainda na década de 1980. A opção escolhida foi o rebaixamento dos trilhos e a transferência do pátio de manobras para a área industrial, em local antes usado como terminal de transbordo para a construção da Usina de Itaipu. Em 1994 começaram as obras de um túnel de 1,6 quilômetros de extensão, com recursos de aproximadamente R$ 70 milhões (valores atuais) provenientes do município. O resto da obra, orçada em R$ 65 milhões, está sendo finalizada por meio de parceria do município com o Departamento Nacional de Infraestrutura Terrestre (DNIT).
''Optamos pelo rebaixamento por ser uma solução definitiva. Desta forma, não existirá mais em Maringá a interferência entre o tráfego ferroviário e o urbano'', esclarece Fernando Antonio Maia Camargo, diretor presidente da Urbamar, empresa responsável pela execução do projeto. Ele lembra que cinco viadutos já foram construídos, e a passagem dos trens já não incomoda nem interrompe a vida urbana. ''O município terá condições de implantar mais duas linhas de passageiros, além da linha de carga.''
Em Cambé a alternativa escolhida também foi o rebaixamento dos trilhos. De acordo com o prefeito João Pavinato, o município conta com aproximadamente sete quilômetros de trilhos na área urbana, com dez passagens de nível, onde são comuns os acidentes. O projeto prevê o rebaixamento de cinco quilômetros. ''Uma empresa foi contratada pelo Ministério dos Transportes para preparar o projeto. Depois vamos buscar recursos para a obra'', explica Pavinato.
Ainda este mês o município deve iniciar as obras da trincheira que será construída próximo ao Colégio Olavo Bilac, onde estudavam as adolescentes que morreram em acidente na última terça-feira. A obra está orçada em R$ 3,5 milhões, e será realizada pelo município em parceria com o Departamento de Estradas de Rodagem (DER).
Já em Curitiba a solução encontrada foi a construção de um contorno ferroviário que evitará os conflitos com pedestres e trânsito rodoviário. O projeto prevê a integração multimodal, integrando os transportes ferroviário, rodoviário, aéreo e metropolitano. Segundo o arquiteto Luiz Masaro Hayakawa, do IPPUC, o DNIT está montando o edital de licitação da obra, que vai retirar 47 quilômetros de linha férrea dos centros de Curitiba, Almirante Tamandaré e Pinhais.
A mesma opção foi feita por Apucarana (Centro-Norte). A construção do contorno, que vai reduzir em 12,8 quilômetros a extensão da linha férrea, orçada em R$ 129 milhões. No mês passado foi assinado convênio entre município e DNIT viabilizando recursos na ordem de R$ 2 milhões - mais contrapartida municipal de 20% - para contratação de uma empresa que vai elaborar o projeto executivo de engenharia da obra. Em Londrina, a linha férrea foi retirada do centro da cidade no início da década de 1980. (S.L.)





