Milhares de peixes e alevinos estão morrendo no Rio Paraná por causa do rebaixamento do lago de Itaipu. A usina tem aumentado a vazão no vertedouro para produzir mais energia. Em Guaíra, o nível do rio está quase dois metros abaixo do nível normal. O recuo das águas está isolando e secando nas ilhas e várzeas centenas de lagoas onde os peixes se aninham nesta época do ano para procriar.

Uma equipe do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) começou nos últimso dias uma perícia para avaliar os estragos ambientais causados pelo rebaixamento do lago. Biológos e geólogos sobrevoaram o rio esta semana para identificar os pontos críticos e fazer pesquisas 'in loco'.

A equipe foi nomeada pelo juiz federal Luiz Carlos Canalli, de Umuarama. Canalli acatou uma ação cautelar de produção antecipada de provas impetrada pela Colônia de Pescadores Z-13 , de Guaíra. Com base no estudo da equipe do Ibama, a colônia vai exigir indenização para os pescadores e outras medidas compensatórias para os municípios localizados no entorno do lago. Este será o primeiro estudo independente do impacto ambiental causado pela usina de Itaipu e está chamando a atenção de ambientalistas internacionais. Todas as pesquisas realizadas até agora foram financiadas pela própria Itaipu

Segundo o advogado da colônia, José Aparecido Martins, a Itaipu nega os prejuízos ambientais e todas as ações movidas até hoje contra a usina esbarraram na falta de provas. ''Suprimir o regime de cheias do rio nesta época do ano compromete seriamente a reprodução dos peixes que já estão desaparecendo gradualmente'', disse Martins. O rebaixamento também provoca morte de moluscos e plantas que servem de alimento para os peixes e agrava os problemas de assoreamento. Quando o rio enche de novo, as plantas que nasceram nas partes secas apodrecem e liberam gases tóxicos que também matam os peixes.

''Apesar dos estragos evidentes, a Justiça exige provas científicas'', disse Martins. Quando soube que o lago seria rebaixado novamente este ano durante a piracema, o advogado pediu a nomeação de peritos para acompanhar o processo. Os quase 500 pescadores de Guaíra estão revoltados com a situação. Proibidos de pescar desde o início de novembro devido à piracema, eles passam necessidade enquanto aguardam a liberação do seguro-desemprego.''O governo não deixa a gente pescar, mas deixa a usina dizimar os filhotes deste jeito'', disse o pescador .

Com a redução do nível do lago, começam a aparecer em Guaíra as corredeiras na cabeceira dos extintos Saltos de Sete Quedas. As cachoeiras desapareceram em 1982 com a formação do lago. Também estão expostas dezenas de árvores mortas e troncos da antiga floresta e muitos bancos de areia. Por causa do perigo, a Delegacia de Navegação Pluvial proibiu a navegação no trecho entre a ponte Airton Senna e a cabeceira do lago. A balsa que faz a travessia entre Guaíra e Salto Del Guaíra, no Paraguai está parada.

mockup