Reativação de indústria causa preocupação em Campo Mourão
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quinta-feira, 30 de agosto de 2001
Sid Sauer<BR>De Campo Mourão 
A reativação de uma indústria de óleo de caroço de algodão, em Campo Mourão, está preocupando moradores vizinhos. Eles temem a volta da poluição, uma vez que a empresa chegou a ser interditada pela Justiça em 1993 por poluir o meio ambiente com um ''pó de algodão''. A fábrica fica no meio do Lar Paraná, bairro com 20 mil moradores.
''Estamos com medo'', admitiu ontem a dona de casa Quitéria Cândida dos Santos, 50 anos, que mora há 25 anos em frente à Algodoeira Limoeirense (Algolim). Ela disse que quer vender o imóvel antes que a poluição volte e desvalorize a casa. ''Com o barulho a gente se acostuma, mas aquele pó é muito ruim'', frisou Benjamim Batista da Cruz.
A dona de casa Nali de Jesus Alves, 71, vê com desconfiança a afirmação da direção da Algodoeira Limoeirense (Algolim) de que a implantação de novos equipamentos vai evitar a poluição. ''Será que vai parar mesmo? Daquele jeito que funcionava incomodava muito.'' Os próprios moradores, porém, admitem que a indústria surge como esperança de emprego.
''Da outra vez essa indústria acabou com a gente, mas do jeito que está faltando serviço é melhor que reabra'', disse a dona de casa Donatília Diniz de Assis, 64. Ela afirmou que prefere se mudar de onde mora há 26 anos se for para gerar empregos.
O diretor da Algolim, Luís Duarte, disse à Folha que os vizinhos da indústria não têm motivos para preocupação. Segundo ele, foram feitos investimentos em novos equipamentos e não há risco de poluição. A Algolim foi instalada em Campo Mourão em 1967, numa época em que haviam poucas residências no bairro. A indústria de óleo, hoje avaliada em US$ 25 milhões, é de 1985. Além de óleo bruto, produzirá línter (usado em papel moeda), pellets e farelo de algodão. A todo vapor, a fábrica poderá gerar cerca de 200 empregos.
O procurador-geral da Prefeitura de Campo Mourão, Robervani Pierin do Prado, disse que a Algolim vai receber um alvará provisório. ''Vamos exigir um acompanhamento rigoroso no controle da poluição'', explicou o advogado. ''Só depois de provar que não há poluição é que sairá o alvará definitivo.''
Prado disse ainda que a liminar que interditou a indústria, em 1993, já foi derrubada. ''Legalmente hoje não existe nada que impeça o funcionamento da indústria.''
Cerca de R$ 300 mil estão sendo investidos na reativação através de uma parceria com a Cooperativa Mista Agropecuária do Brasil (Coopermibra). A fábrica começa a operar após a liberação do Instituto Ambiental do Paraná (IAP).


