Reassentamento de agricultores animará economia de municípios
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quinta-feira, 07 de agosto de 1997
Paulo Pegoraro Cascavel 
As famílias de agricultores que terão terras alagadas pela barragem da hidrelétrica de Salto Caxias, no Rio Iguaçu, impulsionarão a economia dos municípios onde serão reassentadas pela Copel. Cascavel será o mais beneficiado porque receberá o maior contingente. Em apenas um dos locais de reassentamento, a Fazenda Piquiri, a estimativa é de que as atividades produtivas resultarão em receita global de R$ 4,5 milhões ao ano, considerando o preço atual dos produtos.
O relato sobre a importância econômica e social dos reassentamentos foi apresentado anteontem à noite na Câmara de Vereadores de Cascavel, que abriu espaço em sua sessão para representantes da Comissão Regional dos Atingidos por Barragens do Iguaçu (Crabi). O coordenador da entidade, José Uliano Camilo, disse que o município receberá gente qualificada para produzir, gerando receita e alimentando o comércio, serviços e outras atividades.
Para o reassentamento, a Copel adquiriu em Cascavel, com aprovação das famílias, as fazendas Piquiri (com 2.732 alqueires, para 252 famílias)), Refopaz (1.090 alqueires, 106 famílias) e Barater (309 alqueires, para 27 famílias). Entre Cascavel e Campo Bonito, comprou a Fazenda Centenário (600 alqueires, para 43 famílias), além de áreas em Catanduvas, Ibema, Boa Esperança do Iguaçu, Nova Prata do Iguaçu e Três Barras do Paraná.
Estudos patrocinados pela Copel indicam que na Piquiri, a 15 quilômetros da cidade e a margem da BR-369, sejam produzidos anualmente mais de 715 mil litros de leite, 240 mil quilos de suínos, 60 mil quilos de peixes, 4 mil toneladas de soja, 3,2 mil de milho e 1,7 mil toneladas de trigo e 3,6 mil quilos de mel. Os agricultores também deverão produzir legumes e desenvolver a avicultura, ainda sem estimativa de produção.
As famílias já foram autorizadas pela Copel a ocupar as áreas e preparar o plantio da safra de verão do próximo ano. A transferência definitiva só ocorrerá no final do primeiro semestre de 98, quando as casas estiverem construídas, seis meses antes do fechamento das comportas da hidrelétrica de Salto Caxias. O comércio de Cascavel porém já absorve resultados, com compras que estão sendo feitas pelos agricultores.
Para o preparo da terra, eles estão investindo em todas as áreas R$ 5,4 milhões, liberados pela Copel, e apenas para a Fazenda Piquiri são R$ 2,46 milhões. Para a construção de casas e galpões, que será iniciada logo, serão R$ 7,55 milhões. É um grande volume de dinheiro injetado na economia local, observa José Uliano Camilo, lembrando que há outras duas áreas de reassentamento em Cascavel, e que o mesmo ocorrerá nos outros municípios para onde irão as famílias.
A Copel está investindo R$ 270 milhões em terras, divisão de lotes, abertura de estradas e obras de infra-estrutura nos reassentamentos, que contemplam 595 famílias de pequenos proprietários, meeiros e arrendatários, em contingente estimado em três mil pessoas. Outros 325 preferiram receber cartas de crédito da companhia, para comprar terra por conta própria, e indenizações em dinheiro a 1.100 propriedades custaram R$ 50 milhões.


