Reassentados iniciam uma nova vida
Paulo Pegoraro
Edson MazzettoÚltimo contatoA mudança de Antonio José Pedro e família é preparada para atravessar o Iguaçu, de balsa: contato final com o rio O catarinense Antonio José Pedro, 65 anos, a esposa Rita, 61, e três dos treze filhos que geraram estão começando uma nova vida, depois de 43 anos nas margens do Rio Iguaçu. Eles formam uma das 604 famílias que estão sendo reassentadas pela Copel, porque terão terras alagadas em setembro, com o represamento do rio pela barragem da Usina Hidrelétrica de Salto Caxias, que entrará em operação em dezembro.
Depois de tanto tempo é brabo a gente ter que sair, diz Rita, chorosa, acompanhando o marido e os filhos na retirada dos móveis da pequena e tosca casa onde moravam, na região de Porto Alegria, em Nova Prata do Iguaçu (78 km ao norte de Francisco Beltrão). Antonio diz que ela chora de saudade do lugar, mas garante que logo se acostumará com a nova vida. Pois vai ser bem melhor.
Edson MazzettoPassadoA casa velha, em Alegria, onde a família viveu 43 anos...
Antonio é só alegria, pois em troca dos 4 alqueires de topografia acidentada e pouco produtivos que ocupava por arrendamento, a família recebeu 10 alqueires de alta produtividade na Fazenda Barater, em Cascavel. Para morar, uma casa de alvenaria com 85 metros quadrados. Também contará com vários programas de apoio para se consolidar social e economicamente no novo local.
A maior parte das famílias que estão sendo reassentadas tem origem no Extremo-Sul do País e se instalou ao longo do Rio Iguaçu há várias décadas. No campo, dividiram minifúndios, produzindo basicamente milho e feijão e criando animais para consumo próprio. Nas vilas, formaram comunidades harmônicas e estáveis, com ponto de encontro dominical na missa e festas em barracões de igreja ou jogo de bocha.
Edson MazzettoPresente...e o novo lar: Rita, a esposa, já sente saudade
A história da família de Antonio José Pedro é semelhante a das demais. Ele e Rita casaram há 47 anos e migraram pouco depois para o Paraná. Antonio trabalhava como serrador de madeira no município de Vitorino, até que decidiu arrendar a terra em Porto Alegria. Quando a enchente do rio não devastava as plantações, no final do ano sobrava pouco dinheiro. Mas a gente nunca passou aperto, conta o agricultor.





