Famílias oriundas das margens do Rio Iguaçu cujas terras serão alagadas pelo reservatório da hidrelétrica de Salto Caxias, da Copel, realizam hoje a festa de inauguração de dez projetos de reassentamento, executado em seis municípios do Oeste e Sudoeste paranaense. A festa prevê atividades durante todo o dia e será centralizada no Reassentamento São Francisco de Assis (a antiga fazenda Piquiri), em Cascavel. É o maior dos reassentamentos, concentrando 238 famílias, das 614 que dividem 17.557 hectares de terras. Os reassentamentos são considerados modelo até em outros países na relocação de populações de áreas que sofrem impactos por barragens.
As famílias começaram a ser transferidas no ano passado, e o reservatório ainda não começou a ser formado - o que depende da paralisação das chuvas para que baixe o nível do rio. Nos reassentamentos, os agricultores receberam no mínimo 15 hectares, independente de terem sido proprietários, meeiros ou arrendatários, e eles próprios puderam escolher as terras, entre as que foram colocadas à disposição. Também receberam casas de 92 a 95 metros quadrados, com água, energia e paiol, e estrutura pública como estradas, escolas, postos de saúde e de telefonia, igreja e salão comunitário.
Edson MazzettoJosé Uliano Camilo, coordenador da associação dos reassentados, a CrabiA Copel garante ainda recursos para a consolidação dos reassentamentos, inclusive para correção e fertilização da terra. Em Cascavel, além do Reassentamento São Francisco de Assis, há o Centenário (1.210 ha e 47 famílias), Nossa Senhora dos Navegantes (718 ha e 22 famílias) e Santa Bárbara (2.662 ha e 98 famílias). Em Três Barras do Paraná, o Novo Horizonte (992 ha e 27 famílias); em Catanduvas, o São Marcos (822 ha e 27 famílias) e o Saudades do Iguaçu (579 ha e 44 famílias); em Boa Esperança do Iguaçu, o Navegantes (747 ha e 26 famílias); em Ibema, o Agroibema (2.008 ha e 53 famílias); e em Nova Prata do Iguaçu, o São Francisco (1.210 ha e 32 famílias).
Cada reassentamento tem sua associação, e elas são lideradas pela Comissão Regional dos Atingidos por Barragens do Iguaçu (Crabi) e Associação de Desenvolvimento dos Produtores e Atingidos pela Usina Hidrelétrica de Salto Caxias (Aderabi). O coordenador destas entidades, José Uliano Camilo, relata que as famílias mantiveram os laços afetivos e culturais, por terem sido transferidas em bloco, e conseguiram ‘‘elevado grau de organização nos novos locais’’. A Crabi e a Aderabi desenvolvem vários programas sociais, educativos e de qualificação profissional entre os reassentados.
Entre os programas mais importantes estão o de educação para o campo, que tem objetivo de manter os jovens no meio rural; educação ambiental, para preservação e ampliação de recursos naturais; aplicação de novas tecnologias na produção; alimentação; higiene; e produção de ervas medicinais. José Uliano Camilo, que já liderou protestos contra a Copel na fase de discussão sobre o encaminhamento dos projetos de reassentamento, admite hoje que eles são exemplares. ‘‘Mas a união e luta das famílias foram decisivas para que isso ocorresse’’, destacou.

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