Reassentados debatem a educação para o campo
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 29 de outubro de 1997
Paulo Pegoraro 
Cascavel
Edson MazzettoMargaret Nunes, uma das coordenadoras das discussões familiaresCurrículos apropriados que valorizem questões da vida no campo e comunitária, contribuindo inclusive para evitar o êxodo para as cidades. Estas são algumas das propostas para um modelo de educação para o campo para crianças, que estão sendo discutidas por famílias da região do Rio Iguaçu que começam a ser reassentadas pela Copel, transferidas de áreas que serão alagadas pelo reservatório da Hidrelétrica de Salto Caxias.
As discussões têm motivado encontros nas próprias comunidades, nos locais onde ainda estão, ou nos reassentamentos, no Oeste e Sudoeste do Paraná. Hoje, ocorrerão os últimos encontros, em Nova Prata do Iguaçu e Boa Esperança do Iguaçu. O modelo de educação para o campo também será discutido no Seminário de Educação Popular dos Assalariados Rurais, iniciado ontem e que será completado hoje em Umuarama.
O modelo é pretendido por 600 famílias de pequenos agricultores que começam a ser instalados em 7,3 mil alqueires adquiridos pela Copel. Uma das coordenadoras das discussões, a agricultora Margaret Maran Nunes, 31 anos, três filhos, diz que há preocupação das famílias de que seus filhos sejam mantidos no meio rural. Por isso, é reivindicado, além de currículo adequado, a implantação de escolas nos próprios reassentamentos, sendo rejeitada a nuclearização (transporte diário das crianças pelas prefeituras da zona rural para escolas urbanas).
Ao final dos encontros entre as famílias deverá ser elaborado um projeto para o funcionamento e currículo das escolas. A iniciativa envolve também secretarias de Educação dos municípios onde estão os reassentamentos, secretaria estadual e Associação do Programa de Educação para Trabalhadores (Apeart), entidade ligada à Universidade Estadual de Londrina.


