Reaproveitamento de pneus sem poluição
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terça-feira, 06 de dezembro de 2005
Marta Ortega<br> Reportagem Local 
Os transtornos causados pelos pneus usados de automóveis, ônibus e caminhões ainda são motivo de grande preocupação no País. Sua principal matéria-prima, a borracha vulcanizada, mais resistente que a borracha natural, não se degrada facilmente e, quando queimada a céu aberto, contamina o meio ambiente com carbono, enxofre e outros poluentes.
Esses pneus abandonados não são apenas um problema ambiental, mas também de saúde pública, pois acumulam água das chuvas, formando ambientes propícios à disseminação de doenças como dengue e febre amarela.
Tentando resolver, ou pelo menos amenizar o problema, a Bio Cell - Refinaria de Biomassa Ltda, fábrica que está sendo instalada em Colorado (85 km ao norte de Maringá), criou um equipamento capaz de processar o pneu, aproveitando todo o tipo de matéria-prima para a confecção do produto.
O chamado ''negro de fumo'' (reforçante da borracha) é transformado em qualquer tipo de borracha, usada para fazer sola de calçados, correia dentada, painel de carros, etc. Se mais apurado, o produto se transforma em pigmentação para tinta, toner (pó de impressora), películas de filme, etc.
O óleo combustível retirado do processo pode ser utilizado como PPS - um óleo de segunda linha utilizado em sistema de caldeira, mas que refinado, pode ser transformado em óleo combustível. O aço pode ser vendido como sucata e o gás, depois de processado, pode ser transformado em GLP. A princípio, o gás será reutilizado para o próprio equipamento da empresa.
O equipamento, chamado de Conversor Térmico Biomolecular - CTB, teve as primeiras pesquisas desenvolvidas há quatro anos, em laboratórios cedidos pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), através do Campus de Umuarama, detentora de um dos maiores laboratórios de ponta do país.
O objetivo, segundo um dos sócios da fábrica, Nelson Cardoso, é realizar o desenvolvimento de pesquisas com o objetivo de garantir um tratamento correto aos pneus sem agredir o meio ambiente, além de gerar emprego e renda a partir dos novos produtos originados.
A pesquisa realizada com recursos próprios (cerca de R$ 2,5 mi), sem auxílio do governo ou órgãos governamentais, chegou ao equipamento que funciona com conversão à baixa temperatura. ''Trata-se de um processo de conversão térmica com temperatura variada em regime de batelada (tempo do processo), todo fechado (hermético), o que garante a não poluição do ambiente durante o processamento dos pneus inservíveis''.
A partir dos resultados, os pesquisadores iniciaram a construção de uma usina piloto no município de Colorado, já em fase de conclusão, que deve ser inaugurada em janeiro. ''A capacidade da usina foi projetada para processar entre 5 a 10 toneladas diárias de pneus inservíveis, mas a produção pode aumentar gradativamente até chegar a uma produção diária de até 100 ton/dia'', afirmou Cardoso. A produção vai depender da necessidade diária de matéria-prima a ser utilizada na planta de industrialização de emborrachados (segunda fase do projeto).
A grande vantagem do projeto é que todo o processo de instalação da planta é modular, compacta, toda encapsulada, e o processo é considerado totalmente limpo. Mais de 90% dos materiais componentes do pneu são aproveitados. ''Além de aproveitar o produto, não existe a poluição do ambiente''. Segundo Cardoso, empresas brasileiras e multinacionais do ramo de pneus já demonstraram interesse pelo projeto.


