Aos 15 anos, a estudante Jéssica Soares Monteiro, de Londrina, vai aos poucos retomando sua rotina e se adaptando conforme as dificuldades vão surgindo. Em março a menina foi diagnosticada com criptococose, conhecida como "doença do pombo", e agora tenta superar a dificuldade para enxergar, causada pela doença. "Não consigo ver as letras e agora com o uso de óculos estou conseguindo ver as pessoas um pouco melhor, mas não enxergo os carros, por exemplo. Para usar o computador tenho que pedir a ajuda de alguém e as fotos eu preciso aumentar bastante", conta.
Marlete Soares, mãe de Jéssica, explica que os primeiros sinais da doença apareceram em fevereiro deste ano, na forma de dificuldade para enxergar. "Os professores avisaram que ela estava tendo problemas de visão. Levei no oftalmologista, fizeram exames, mas não foi detectado nada", conta Marlete, informando que depois ela foi internada em um hospital.
Durante 14 dias a menina passou por diversos exames, enquanto seu estado de saúde piorava. "Foi na ressonância magnética que descobriram que ela estava com meningite, em decorrência da criptococose. Ela foi transferida para o Hospital Universitário, já sem enxergar nada. O médico disse que era muito grave e que ela poderia ficar cega definitivamente."
Marlete diz que após o diagnóstico a menina já começou a tomar um remédio específico e voltou a enxergar, mesmo que com dificuldades. Depois de 45 dias de internação, Jéssica pôde voltar para casa, onde continua tomando remédios e fazendo acompanhamento médico.
Durante o período que esteve no HU, a adolescente estudou com a ajuda dos professores do Serviço de Atendimento à Rede de Escolarização Hospitalar (Sareh) e assim não perdeu o conteúdo escolar. "Agora os amigos ajudam copiando as lições e os professores também mandam o conteúdo e lemos para ela em casa", destaca Marlete.
Jéssica também começou a frequentar a Sala de Recursos multifuncionais no Colégio Estadual Hugo Simas (centro), duas vezes por semana, onde recebe apoio no contra turno escolar. "Ela estuda perto de casa e à tarde precisamos trazê-la para o acompanhamento. A professora já avisou que talvez necessite aprender o braile, mas ela ainda estava resistente quanto a isso."
A garota conta que agora já está aceitando melhor a ideia, principalmente se isso a ajudar a aprender melhor. Para isso ela pretende também contar com a ajuda do computador, que precisará de programas específicos.
"Sei que está sendo muito difícil para ela, assim como para nós. Mas agradecemos por ela estar viva, já que o prognóstico quando ela chegou no hospital não era nada bom. Não sabemos onde a Jéssica pode ter se contaminado, mas isso agora nem é o mais importante", ressalta.
De toda a experiência, a adolescente se lembra com carinho da visita do cantor Luan Santana, quando ainda estava internada. "Foi a única coisa boa que me aconteceu."

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