Ao contrário dos altos salários pagos no setor público para funcionários em início de carreira, a realidade para quem opta pela iniciativa privada é bem diferente. Em regra, os empresários ou funcionários levam anos para construir uma carreira de sucesso e a dedicação ao trabalho e ao estudo tem de ser tão grande quanto a dos concurseiros.
A trajetória do empresário Lauro Kleber, 55 anos, sócio de uma padaria tradicional na Área Central de Londrina, é um exemplo dessa diferença. Desde os 9 anos de idade atrás do balcão, ele conta que a rotina de trabalho duro sempre foi uma constante para a família, desde a inauguração da padaria em 1960.
No início, os pais dele, Osmar Olívio e Ernestina eram os responsáveis por tocar o negócio. Ao atingir a maioridade, Lauro e o irmão Valdemar passaram a ter uma jornada diária de até 14 horas de trabalho na padaria. Mesmo assim, Lauro arrumou tempo para formar-se em administração de empresas e ciências contábeis pela Universidade Estadual de Londrina (UEL).
O crescimento e a contratação de funcionários permitiram que a rotina se tornasse um pouco mais tranquila mas para consolidar a clientela, foi necessária dedicação ao longo de várias décadas.
''O fundamental é considerar os custos todos na ponta do lápis, fazer economia, evitar o desperdício e acompanhar de perto, estar sempre junto do negócio'', ensina. Ainda assim, hoje Lauro Kleber trabalha das 9 às 23 horas, com direito a folga semanal, em esquema de revezamento com o irmão Valdemar.
O problema das diferenças na remuneração entre os setores público e privado, na análise de Kleber, é fruto da falta de qualificação profissional da mão-de-obra. ''Se houvesse mais candidatos qualificados para os cargos de salário mais alto, a remuneração não seria tão elevada'', avalia. ''E o problema é que quem paga a conta desses altos salários é o contribuinte'', acrescenta.
O empresário ainda faz uma analogia com o próprio ramo de atuação. Para ele, a falta de qualificação torna difícil contratar funcionários para funções simples, como balconista e padeiro. E a única forma de reduzir o fosso salarial entre os setores é o investimento em educação. (F.R.F.)

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