Reajuste de tarifa gera polêmica
Giovani Ferreira
A discussão em torno do reajuste da tarifa do transporte coletivo urbano está mobilizando diversos segmentos organizados de Ponta Grossa. Diante da polêmica formada em torno do assunto, principalmente com manifestações contrárias ao aumento, a prefeitura chegou a convovar ontem uma audiência pública para debater o assunto. No final da reunião, o prefeito Jocelito descartou qualquer possibilidade de reajuste, determinando o início de um estudo detalhado sobre a planilha de custos da empresa permissionária.
Durante a audiência, representantes de sindicatos, associações e da população em geral lotaram o salão nobre da administração municipal para discutir com técnicos do município e diretores da Viação Campos Gerais (VCG), empresa responsável pela exploração do transporte coletivo na cidade, a validade da proposta de reajuste. A VCG está negociando com a prefeitura um aumento de 13,3%, que faria com que a passagem passasse de R$ 0,75 para R$ 0,85.
O percentual de reajuste foi definido pelo Departamento Municipal de Transportes, a partir da planilha de custos da empresa. Lucien Ribas, diretor-presidente da VCG, alega que o aumento é necessário para equilibrar os custos da empresa, comprometidos com as sucessivas altas do combustível e também com a data-base dos motoristas e cobradores, que tiveram seus salários reajustados no mês passado.
Algumas entidades, como a Associação Comercial e Industrial de Ponta Grossa (Acipg) e a própria Comissão Municipal de Transportes, integrada por pessoas da comunidade em geral, entendem que o aumento é ilegal e discutem a possibilidade de estabelecer uma tarifa menor do que a praticada hoje. Durante a audiência pública, representantes de vários setores solicitaram um estudo técnico de reavaliação da tarifa.
Se a prefeitura conceder o percentual de reajuste solicitado pela VCG, o transporte coletivo de Ponta Grossa terá uma das maiores tarifa do Estado. Em cidades como Londrina, Maringá, Cascavel e Foz do Iguaçu a tarifa custa R$ 0,80. Somente em Curitiba, onde a qualidade do transporte coletivo não se compara a nenhuma outra cidade do Paraná, a passagem custa R$ 0,85.
O Ministério Público de Ponta Grossa, que também está acompanhando as discussões, entende que este não é um bom momento para o reajuste. O assessor jurídico do Ministério, Carlos Fabiano Gular, disse que antes de proceder qualquer aumento a prefeitura precisa realizar um novo estudo técnico, que aponte o valor real que deveria estar sendo praticado.





