Especial para a Folha
O reajuste da tarifa do transporte coletivo em Ponta Grossa está causando polêmica na cidade. Enquanto a empresa concessionária do serviço, a Viação Campos Gerais, pede aumento sobre a tarifa atual, de R$ 0,75, o Conselho Muncipal de Transportes quer a redução desse valor. Alguns out-doors foram espalhados pela cidade criticando o aumento, antes mesmo da VCG entrar com pedido de reajuste na prefeitura.
Em reunião realizada na última terça-feira, o Conselho Muncipal de Transportes decidiu que a principal atuação da entidade deve ser o estudo da planilha de custos da VCG, segundo informou o presidente Irineu Czepula. Também podem ser criadas novas regras para o setor. Ele comenta que a planilha, segundo a lei, deveria ser apresentada semestralmente, em abril e agosto, o que não é feito atualmente e precisa ser verificado junto à empresa. Até ontem, a empresa não havia fornecido a planilha nem pedido de aumento para o Departamento de Serviços Viários da prefeitura municipal.
O presidente da ACIPG. Douglas Taques Fonseca, que lidera uma série de questionamentos quanto à atuação da VCG em Ponta Grossa, diz que qualquer aumento é abusivo. ‘‘Considerando que não houve inflação de 100% de 1994 para cá, a tarifa não poderia passar de R$ 0,52’’, calcula. Sua comparação se refere ao valor praticado há cinco anos, quando uma CPI na Câmara Municipal de Ponta Grossa chegou à conclusão de que a tarifa daquela época, R$ 0,36, estava superfaturada em 38,46%.
A ata da sessão da Câmara, em dezembro de 1994, afirma que a planilha não estava de acordo com os custos, segundo análise do departamento jurídico da prefeitura. Outro ponto questionado é a desconformidade do contrato entre a prefeitura e a VCG com a Lei de Licitações, constatata pelo privilégio do monopólio à empresa concessionária. A Lei Orgânica do Município também é clara quando determina que a concessão deve prever pelo menos duas áreas de operação, o que não foi feito.
A Viação Campos Gerais alega ter tido gastos com os aumentos de combustíveis, com pneus e outros insumos, com a entrada em operação de sete novos ônibus articulados e mais seis convencionais, o que já alcança os 10% de aumento nos custos e dá direito à empresa de pedir reajuste. O mês de maio é também de dissídio da categoria dos motoristas e cobradores. O presidente da VCG, Lucien Ribas, não compareceu à reunião de terça-feira e se recusou a conceder entrevista para a Folha.

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