Reações alérgicas prejudicam campanha
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quinta-feira, 02 de setembro de 2004
Fernando Rocha Faro<br>Reportagem Local 
A dona de casa Neusa de Jesus dos Santos Corrêa, 36 anos, moradora do Jardim Felicidade (Zona Leste de Londrina), é atenciosa nos cuidados com a sa© úde da filha Carolaine, de apenas 1 ano e 9 meses, apesar das dificuldades enfrentadas devido à infra-estrutura precária do bairro. Ao consultar ontem a carteirinha de vacinação da pequena Carolaine, no entanto, ela teve uma surpresa desagradável e preocupante. A vacina contra difteria e tétano está com três meses de atraso. ''Vou hoje (ontem) mesmo ao posto de saúde para vacinar a menina'', garantiu.
Segundo ela, as outras vacinas estão em dia e o atraso foi uma situação isolada. ''Sempre procurei levar tudo certinho, com o maior cuidado'', declarou Neusa. Outras moradoras do Jardim Felicidade procuradas pela reportagem da Folha de Londrina foram mais atentas aos prazos e exibiram orgulhosas as carteirinhas de vacinação dos filhos rigorosamente em dia. Um exemplo é Rosemeire Ferreira, 22 anos, mãe de Sabrina Maria Valentim, de 2 anos e sete meses. Pouco menos de um mês atrás, ela levou a filha para tomar a tríplice viral vacina que protege contra sarampo, cachumba e rubéola na Unidade Básica de Saúde do vizinho Conjunto Novo Amparo. ''Estamos sempre com a carteirinha em dia'', salientou Rosemeire.
Os números da Secretaria Municipal de Saúde sobre a Campanha Nacional de Vacinação mostra que, infelizmente, casos como o de Neusa Corrêa ainda são bastante comuns. Iniciada em 21 de agosto e prevista para terminar hoje, a campanha contra o sarampo está longe da meta das autoridades do setor. Até quarta-feira, o índice de vacinação de crianças contra a doença era de 66%. O grau de imunização considerado ideal é de 95%. ''Em saúde, nada é matemático. Mas queremos 'dar uma sacudida' para ver se ainda melhoramos esse índice'', afirmou o secretário municipal de Saúde, Sílvio Fernandes da Silva.
Para Fernandes, dois fatores estão contribuindo para os índices insuficientes: a campanha não ter sido concentrada em apenas uma data e as reações alérgicas apesentadas por crianças após receberem a imunização com alguns lotes da vacina. ''O lote que apresentou problema foi trocado e o novo não tem dado nenhum tipo de reação'', salientou. Uma das vítimas das reações alérgicas foi Caio Henrique Rodrigues da Silva, de 2 anos e 4 meses. A mãe Juliana França dos Santos, 17 anos, levou-o para tomar a vacina duas semanas atrás. Após receber a imunização, a criança teve diarréia, febre e vômitos e precisou ficar internada. ''Depois de um dia de soro, ele melhorou rápido'', revelou Juliana.
Apesar de não ter sido o caso de Neusa Corrêa, o pediatra Gérson Zanetta de Lima, do Centro de Referência de Imunobiológicos Especiais (CRIE) do Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Londrina (UEL), acredita que as reações alérgicas tenham prejudicado a procura pela vacina. ''Acho que pode ter contribuído para que parte da população tenha desistido da vacina'', avaliou.


