Inofensivas para a maioria das pessoas, algumas substâncias presentes em alimentos, medicamentos ou mesmo no veneno de insetos podem ser fatais quando em contato com vítimas de alergia. O edema de glote - inchaço na laringe que deixou em coma o padre Benito Pecorari após a ingestão de camarão, na sexta-feira passada em Ibiporã - é uma das reações mais graves. Até ontem o pároco da matriz Nossa Senhora da Paz continuava em coma e respirando por aparelhos, no Hospital do Coração de Londrina.
De acordo com o médico alergologista Luiz Alberto Scripes, é a glote que permite a passagem do ar da laringe para o pulmão. Quando a reação alérgica provoca o inchaço na região, a pessoa não consegue respirar e pode morrer por insuficência respiratória.
Por isso, é fundamental levar a vítima ao atendimento de emergência em pronto-socorro sem perda de tempo. ''O primeiro cuidado é estabelecer uma via de acesso para entrada de ar no pulmão'', explica o especialista, acrescentando que o tratamento posterior é feito à base de medicamentos.
O contato com substâncias alergênicas também pode causar urticária, chiado no peito e choque anafilático, caracterizado pela rápida queda de pressão decorrente da excessiva dilatação dos vasos sanguíneos. Stripes explica que as reações alérgicas mais graves costumam ser causadas por frutos do mar, o antibiótico penicilina e picadas de insetos como abelhas, vespas, formigas ou marimbondos.
''Quando a pessoa já manifestou alergia anteriormente, é possível prevenir reações mais severas suspendendo o contato com as substâncias alergênicas. Mas pode ser imprevisível quando não foi observada nehuma reação anterior'', diz ele. A alergia a picada de insetos é a única possível de ser combatida através de vacinas que, segundo o médico, oferecem 98% de eficácia. No resto dos casos, a única possibilidade é suspender a exposição às substâncias nocivas.
Uma simples dor de cabeça levou ao hospital a professora Regina Célia Adamuz, que descobriu ser alérgica a dipirona após ser acometida por um edema de glote resultante da ingestão de um analgésico.
''Tomei um comprimido e logo depois comecei a sentir falta de ar. Foi assustador'', conta ela, que alguns meses depois ingeriu outro medicamento à base de dipirona - sem ler a bula - e teve uma reação ainda mais forte. ''Hoje em dia aviso a todos sobre minha alergia, anotei a informação na agenda e leio todas as bulas de medicamentos. Não quero mais passar por isso'', espera.
A alergia a um remédio também levou a pequena Raíssa, de quase três anos, ao atendimento de emergência quando tinha apenas seis meses. A babá Ângela Diniz, mãe da menina, conta que a filha foi diagnosticada com infecção urinária e medicada com um antibiótico.
''Ela tomou o remédio e ficou toda vermelha, sentia falta de ar e começou a vomitar'', diz. No início desse ano, a garota apresentou a mesma reação após ter sido medicada em uma consulta onde estava acompanhada pela avó, que não sabia da alergia. ''Depois disso avisei todo mundo sobre o problema e tomo muito cuidado antes de dar qualquer remédio a ela.''

Incidência de alergias
na população brasileira:

20% da população sofre de rinite alérgica
8% a 10% são asmáticas
3% a 4% apresentam urticária e dermatites
Substâncias que mais causam reações alérgicas graves:
Medicamentos como a penicilina
Frutos do mar
Picadas de insetos como abelhas, formigas, vespas e marimbondos
Prevenção:
Suspensão da exposição à substância alergênica
Vacina específica contra picadas de insetos
Fonte - Luiz Alberto Scripes, médico alergologista

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