O antropólogo Carlos Balhana, chefe do Departamento de Antropologia da UFPR, diz que a partir do momento em que os meios de comunicação, principalmente a TV, levaram ao ar as missas, o padrão de comunicação religiosa se expandiu. Segundo ele, a igreja teve grandes transformações, na década de 70, com a Teologia da Libertação, ampliando o conceito de uma filosofia adequada para o século 20.
A tendência inovadora, e rebelde, formou suas características, sofrendo coações da igreja oficial. A renovação carismática seria um desses movimentos de oposição, que apenas reformulou rituais. Mas Balhana acredita ainda que as mudanças surgiram também para competir com as seitas protestantes que têm alto ‘‘sustentáculo de práticas’’.
Os grupos carismáticos adotaram o carisma, que é um conceito sociológico. ‘‘A partir desse momento, a noção de cura, proveniente de orações e emanações das mãos, tornam possível o surgimento de um grupo dissidente qualificado para ampliar horizontes junto aos jovens, doentes e pobres’’, diz.
Para Balhana, os carismáticos propõem a ‘‘espacialização’’ nova da fé, indo a boate, em lugares amplos para suas celebrações. Está ainda na música, no surf, comuns no dia-a-dia da população. Ele considera a alternativa boa, mas acredita que os seguidores devem ter limites para não cair no fanatismo. (A. R.)

mockup