'Reabertura de hospital só com parceria'
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 04 de maio de 1999
Silvana Leão 
A compra do mobiliário e parte dos equipamentos do Hospital Londrina, de Cambé (13 km a oeste de Londrina), pelo Conselho Comunitário Feminino de Londrina, foi considerada pelo secretário estadual de Saúde, Armando Raggio, como uma atitude positiva. No entanto, ele considera que não é algo tão significativo que suporte a reabertura da instituição. O hospital foi desativado no final de 1997 e, segundo entrevista da presidente do Conselho, Raquel Basseto, ontem na Folha, atualmente ele faz parte dos bens da multinacional Signa Seguradora.
Raggio concorda que uma das saídas para colocar o hospital em funcionamento novamente seria uma parceria, uma engenharia institucional, entre Estado, comunidade e iniciativa privada, para criar uma instituição com a agilidade de uma empresa de caráter privado. A exemplo da proposta do Conselho Feminino, o secretário também defende a intervenção do governo federal, com base em dispositivos legais, para transformar o hospital em uma unidade de referência da saúde.
O secretário lembrou, porém, que os equipamentos adquiridos através de leilão pelo Conselho são residuais. Trata-se, segundo ele, do que restou dentro da instituição depois que foi fechada por sua antiga mantenedora, a Golden Cross. É uma ajuda mais social e organizativa do que material, acrescentou Raggio.
Ele observou que, em se tratando de uma instituição de saúde, é preciso lembrar que, se o prédio vale x, cabe dentro dele até duas vezes este valor em equipamentos e o custo de manutenção pode chegar a até três vezes mais. Portanto, se o prédio valer realmente os R$ 6 milhões que foi considerado na época do fechamento, ele pode abrigar até R$ 21 milhões em equipamentos. Os lotes arrematados pelo Conselho Feminino foram negociados pelo valor simbólico de R$ 21 mil.
Armando Raggio afirmou que vai procurar agendar uma reunião entre várias lideranças políticas e da própria comunidade dentro de um prazo de 30 dias para começar a discutir a questão da reabertura do hospital. Será uma reunião com as múltiplas vertentes, entre todos os segmentos interessados.
Para Raggio, a questão deve ser resolvida a partir de um consenso, e para isso é preciso ter paciência. Acho que o caminho é a reorganização institucional, nos moldes adotados pelo Hospital do Trabalhador, em Curitiba. O Secretário disse que aproveitou a vinda ao interior do Estado, no feriado de 1º de Maio, para fazer os primeiros contatos com políticos que poderiam participar do encontro, como o deputado federal Luis Carlos Hauly (PSDB) e o prefeito de Cambé, José do Carmo.


