Reabertura de cassino ainda é polêmica
Arquivo FolhaO deputado Sérgio Spada defende as casas de jogo para promover turismoO projeto de lei que libera os cassinos no Brasil tramita no Senado, mas ainda causa polêmica. No Paraná, os profissionais ligados ao turismo defendem a instalação das casas de jogos. O Ministério Público e a Igreja Católica são contra.
A Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) diz que os cassinos invertem a hierarquia de valores do ser humano. O jogo fomenta a sorte e o ganho fácil como ideal de vida em detrimento do trabalho honesto e perseverante, afirma o secretário executivo da CNBB-PR, Carlos Alberto Chiquim.
Segundo ele, os cassinos também provocam o rompimento da harmonia familiar, o desequilíbrio em casos de perda, podendo levar ao suicídio, à facilidade de desenvolver o alcoolismo e ao mau exemplo na educação dos filhos. A possibilidade de lavagem de dinheiro também é apontada pela CNBB como um ponto negativo das casas de jogos.
O deputado estadual Sérgio Spada (PSDB) diz que o Brasil já tem lavagem de dinheiro, jogo e prostituição, mesmo sem os cassinos. Para ele, as casas de jogo poderiam desenvolver o turismo, gerar 140 mil novos empregos e ajudar as áreas social e educacional. Os cassinos pagariam taxas altas. O ideal seria que 50% da renda líquida fossem para projetos sociais e de educação.
O procurador e coodenador da área criminal do Ministério Público, Dartagnan Abilhoa, diz que o custo social dos cassinos é muito alto. A abertura deles aumentaria a criminalidade. Isso não é presunção, é o que ocorre nos lugares que têm cassinos.
Abilhoa reconhece que existem muitos jogos no Brasil, mas diz que os oficiais não geram corrupção. O jogo do bicho - que não é oficial - causa corrupção, prostituição e é ponto de tráfico, diz Abilhoa. Segundo ele, o mesmo ocorreria se os cassinos fossem instalados no País.
Hotel - O presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Curitiba, João Maria Camargo Ferreira, diz que os cassinos devem ser ligados a hotéis e instalados em cidades de fronteira e litorâneas. Antonina seria um bom lugar para ter um cassino. Com isso, teríamos temporada permanente no litoral, acredita.
Foz do Iguaçu não ficaria de fora em caso de aprovação do projeto. Segundo o presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Foz de Iguaçu, Carlos Tavares, os jogadores dos cassinos do Paraguai e da Argentina são brasileiros em sua maioria. Com a volta dos cassinos ao Brasil, o dinheiro destes jogadores não sairia do País.
Tavares acha que os cassinos deveriam ser instalados em quatro ou cinco localidades, como previa o primeiro projeto, e não espalhados por todo o Brasil. Ele afirma que 80% dos jogadores da Argentina são brasileiros - 70% deles são paulistas. Todos se hospedam em Foz. Se instalarem cassinos em Guarujá ou Campos do Jordão, os paulistas não viajarão mais a Foz para jogar, reclama. (A.C.)





