Reaberto inquérito sobre desaparecido
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segunda-feira, 07 de julho de 1997
Paulo Pegoraro Cascavel 
A Secretaria de Segurança Pública do Paraná determinou a reabertura das investigações sobre o desaparecimento de Éverton Ficagna, aos 14 anos de idade, no dia 10 de outubro de 1994 em Corbélia (24 quilômetros ao norte de Cascavel). O caso mobilizou a opinião pública do Estado e contribuiu para a ativação, pela Secretaria de Segurança, de um órgão específico - o Sicride - para investigar o desaparecimentos de crianças.
O reinício das investigações foi decidido a partir de novas informações sobre o caso. Uma jovem que residia em Corbélia na época do desaparecimento de Everton e hoje mora em Curitiba relatou detalhes que podem ajudar o trabalho da polícia. Na manhã de ontem, o delegado especial Almeri Pedro Kochinski, do 2º Distrito Policial de Cascavel, começou a examinar o inquérito.
Enquanto examinava o inquérito, Almeri recebeu dois telefonemas com informações sobre o caso. O delegado não revelou o teor dos telefonemas e quais pistas seguirá, mas deve ouvir novamente pessoas que já deram depoimento. O inquérito, que era conduzido pelo delegado Pedro Zambon, de Corbélia, já tem 200 páginas. Grupos especiais da Polícia chegaram a fazer escavações à procura do corpo de Éverton, seguindo informações de denúncias anônimas.
Os pais de Éverton são o agricultor Dalmo Ficagna, 55 anos, e a dona-de-casa Ilse Ficagna, 46. Tenho fé, tenho esperança. É o que me resta, disse Ilse ontem, após ser informada sobre o reinício das investigações. Ela repete esta declaração desde o dia do desaparecimento do filho.
Por volta das 19 horas daquele dia, Éverton pegou sua bicicleta para ir jogar bola com amigos no ginásio de esportes. Ao sair, gritou: Um beijo, mãe, volto logo. Depois de ter passado pelo ginásio, nunca mais foi visto.
A bicicleta foi encontrada na margem da rodovia BR-369, na periferia da cidade. Durante muito tempo a Polícia fez buscas, encerradas depois por falta de pistas.
Ilse nunca desistiu, pois não aceita a inclusão do caso entre os insolúveis. Ela nunca conseguiu voltar à normalidade da vida pacata que levava. Quero uma resposta, seja qual for. Do filho, além das lembranças na mente, restaram fotos, alguns pares de tênis, uma bola de futebol, um boné e a bicicleta.
A mulher, que já conversou com o delegado Almeri Kochinski, está convicta de que ainda há muita coisa para ser investigada e anima-se com a possibilidade de que Everton esteja vivo. Uma informação recebida pela Secretaria de Segurança indica que dias depois do desaparecimento ele teria sido visto por uma pessoa. A pista é encarada com cautela pela polícia, pois Everton era um guri muito esperto, segundo a própria mãe. Ela acredita que, neste caso, ele pelo menos teria feito contato por telefone.
O delegado Almeri espera receber novas informações, inclusive anônimas, dadas por telefone. Ele pretende evitar ações cinematográficas. Em outubro de 95, uma carta anônima enviada à Polícia indicou o local onde o corpo do garoto estaria enterrado. Segundo a carta, alguns rapazes de Cascavel, de famílias tradicionais, teriam participando de uma festa de cocaína, na zona sul da cidade.
Um dos participantes teria sido ameaçado de morte por saber do envolvimento dos outros com a morte de Everton, que teria ocorrido por vingança, após uma briga entre o grupo e Gerson Ficagna, irmão do garoto. Amparados em ordem judicial, os grupos Cope e Tigre iniciaram escavações, na noite de 3 de outubro de 95. Na manhã seguinte, as escavações foram suspensas.


