James Alberti
A 2ª Delegacia Regional da Receita Estadual, em Curitiba, confirmou ontem que dois postos de combustíveis da capital estavam falsificando gasolina misturando ao combustível um resíduo de petróelo, chamado rasfenado, que é usado na indústria de tintas. Anteontem, a Receita Estadual apreendeu 150 mil litros de rasfenado e 30 mil litros de álcool, que estavam num depósito irregular, em Araucária, região metropolitana. Os produtos pertenceriam aos donos dos postos de combustível.
O inspetor de Fiscalização da Região Metropolitana da Receita Estadual Wilson Matsunaga, disse que os nomes dos postos estão sendo mantidos em sigilo. Os proprietários, segundo ele, foram multados ontem em R$ 42 mil. O investigador Reinaldo Natel, da Delegacia de Aracuária, que investiga o caso, negou que tivessem donos de postos de combustível sendo investigados. Conforme Matsunaga, está configurado que os estabelecimentos adulteravam a gasolina, o que barateava os custos.
Segundo Matsunaga, o rasfenado é quatro vezes mais barato que a gasolina, mas prejudica o motor. Em carros que possuem injeção eletrônica, principalmente, o produto reduz a um terço a vida útil do motor. As empresas compravam o produto em São Paulo. Os dois sofreram três autuações. O inspetor da Receita Estadual disse que os postos não possuíam documento hábil para transporte dos produtos e o destino era falso.
Os fiscais da Receita encontraram caminhões descarregando no local. As notas das mercadorias, porém, indicavam que o destino eram estados como Santa Catarina e São Paulo. A suspeita é de que as notas sejam ‘‘frias’’. Uma delas, inclusive, é de uma distribuidora de Santa Catarina que tem a inscrição cancelada pela Receita daquele Estado.
A Receita chegou ao depósito através de uma denúncia anônima. Um morador da região teria desconfiado do movimento diário de caminhões de combustível, que entravam e saíam da fábrica. O fato dos funcionários e motoristas fecharem o portão da empresa cada vez que um veículo entrava teria despertado a curiosidade do morador.
Ontem o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) recolheu amostras dos produtos para análise. Conforme o químico do Tecpar, Guilherme Zemke, os resultados devem ser divulgados no final da próxima semana.

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